09 de julho de 2026
Geral

Moradores reclamam de trânsito no Jd. Bela Vista

Por Tisa Moraes | Com Redação
| Tempo de leitura: 5 min

Moradores do Jardim Bela Vista estão descontentes com o aumento do tráfego de veículos em algumas ruas do bairro e com as mudanças implementadas, ainda que temporariamente, para tentar torná-lo menos perigoso. A principal reclamação tem como foco a rua Coronel Alves Seabra, que deverá ter o trânsito desafogado com a inauguração da avenida Nações Norte, cuja conclusão está prevista para abril.

Mas, enquanto as obras não terminam, os moradores têm de lidar com a movimentação arriscada de veículos que, até por conta da imprudência de alguns motoristas, muitas vezes circulam a uma velocidade incompatível com as vias de um bairro eminentemente residencial. Outra reclamação é de que os estabelecimentos comercias instalados não apenas na Alves Seabra, mas também na rua Nelson Bonachela Gimenes, têm sofrido com a redução da demanda de clientes, já que estas duas vias - que são estreitas e praticamente de mão dupla em toda sua extensão - estariam se transformando em meros corredores de passagem de veículos.

"Como a rua é estreita e passa carro dos dois lados, não tem como estacionar. Fora os buracos, que são enormes", reclama Maria Aparecida Augusto, tia de um comerciante local. Ainda de acordo com ela, a transformação das ruas Alto Juruá e Alto Purus em vias de sentido único também teriam colaborado para o aumento da circulação de veículos em outras vias paralelas, que ainda permanecem com mão dupla.

"Para fugir desse trânsito e ir mais rápido, muitos motociclistas estão usando a pista da Nações Norte, mesmo ela estando interditada para as obras. É um risco muito grande", avalia.

A pista Norte da avenida Nações Unidas está situada paralelamente à rua Alves Seabra, atualmente uma das principais vias de acesso a bairros como o Parque União, Jardim Progresso, Parque Santa Edwirges, Parque Jaraguá. Com o adensamento populacional proporcionado pelo aumento de condomínios e conjuntos habitacionais no entorno desses locais, ela se tornou uma rua bastante sobrecarregada.

Esta nova dinâmica também provocou uma situação desconfortável ao operador de máquinas Carlos César Gomes. Morador da quadra 20 da rua Padre Nóbrega há 26 anos, ele reclama do fato de o trecho de sentido único da Alves Seabra ter sido estendido até a quadra 9, altura da via onde está sua casa.

"Os carros que estão no trecho de mão dupla vêm em alta velocidade e, quando começa o trecho de sentido único, são obrigados a seguir pela Padre Nóbrega. O problema é que os caras não tiram o pé do acelerador", afirma.


Postes derrubados


A mudança foi implementada pela Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) há cerca de três semanas. Neste período, segundo Gomes, veículos em alta velocidade já teriam derrubado três postes que sinalizam a proibição de passagem no sentido bairro-Centro a partir do trecho de mão única, na quadra 9. Na quadra 20 da rua Padre Nóbrega, outros tantos veículos estacionados já teriam sido abalroados por motoristas imprudentes.

"Já vi muitos acidentes, motoqueiro caindo. A Emdurb deveria colocar uma lombada na quadra 10 da Alves Seabra, para que os motoristas diminuam a velocidade. Fora isso, só a inauguração da Nações Norte vai poder reduzir a quantidade de carros e minimizar esse problema", aponta.

De acordo com o gerente de Planejamento e Operações Viárias da Emdurb, Aníbal dos Santos Ramalho, a autarquia tem a intenção de ampliar o trecho de mão única da Alves Seabra por mais três ou quatro quadras. Mas não há prazo definido para que a alteração seja implantada e, mesmo com a conclusão da Nações Norte, não existem planos de transformá-la em via de sentido único.

"O trânsito no trecho em que foi implantada mão única melhorou bastante e a rua Padre Nóbrega, por já ser de mão única, tornou esse encaixe (interseção entre o trecho de mão única e mão dupla da Alves Seabra) mais seguro. Antes, ele ficava na rua José Bonifácio. Mas, para estender esse trecho ainda mais, será preciso recuperar o pavimento da Alves Seabra", pondera.

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Interligação extinta


Por conta da construção da Nações Norte, a passagem que fazia a interligação entre o Jardim Godoy e a Bela Vista, na altura da rua José Bonifácio, foi derrubada. Ao contrário do que ocorreu com a rua Alves Seabra, nesta via a movimentação de veículos e pedestres minguou, o que também teria trazido prejuízos para algumas oficinas mecânicas instaladas no local.

Uma delas, localizada na esquina entre a rua José Bonifácio e Nações Norte, ficou literalmente em um beco sem saída, já que o acesso à avenida permanecerá interditado até a conclusão das obras. "O pessoal passava toda hora por aqui e a oficina tinha mais visibilidade. Desde que a ponte foi derrubada, o movimento caiu bastante, ficou muito ruim. Agora, estamos esperando a abertura da avenida para ver se a clientela volta", analisa o funileiro Hércules de Freitas Comegno.

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Previsão é de que avenida seja concluída em abril


Orçada em R$ 47 milhões, a avenida Nações Unidas Norte está sendo construída com recursos do governo estadual e tem previsão para ser concluída até o final de abril deste ano, segundo confirmou a assessoria de imprensa da Secretaria de Transportes do Estado de São Paulo. A inauguração oficial, entretanto, ainda não tem data marcada.

A execução das obras na Nações Norte tem 3,5 quilômetros de extensão. São quatro pistas, duas em cada sentido duplicadas, estas integradas a marginais. Também contará com uma área reservada no meio do traçado para a posterior instalação do Parque do Castelo, cuja área destinada no projeto equivale a 15 vezes as dimensões do Parque Vitória Régia, com lago.

Além da pista expressa em duas faixas de cada lado, a avenida Nações Norte terá pista secundária para que o tráfego não interfira no melhor aproveitamento do parque, na parte central do projeto.

Paralelamente à construção das pistas, a empreiteira CBEMI, que detém o contrato, será responsável pela instalação de guias, sarjetas, sinalização de trânsito e toda a estrutura de acabamento do trecho. As obras de paisagismo e iluminação pública devem ficar a cargo da prefeitura, assim como a aquisição do equivalente a 19 hectares de mata para compensação ambiental e pagamento das desapropriações necessárias.