09 de julho de 2026
Bairros

Polícia ouve testemunhas no caso sobre atendimento do Samu

Mariana Cerigatto
| Tempo de leitura: 2 min

Para dar continuidade às investigações, a Polícia Civil de Bauru colheu ontem depoimentos de familiares e testemunhas de Marlene Aparecida de Souza, 50 anos, que morreu em sua residência na última terça-feira, no Parque Nova Paulista. A causa da morte será conhecida após laudo necroscópico, mas a família da vítima e outras testemunhas insistem em acusar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) por falha, demora e descaso no atendimento à mulher. O caso foi registrado como morte suspeita.

O delegado do 1º Distrito Policial (DP) de Bauru, Eduardo Sganzela, ouviu o esposo de Marlene, José Carlos Bernardo, a sobrinha da vítima, Diana Ferreira de Matos Bernardo, e as vizinhas Júlia de Souza e Maria Conceição de Souza, que são irmãs e moram defronte à residência onde tudo aconteceu.

Vizinhas e parentes criticaram ao Jornal da Cidade a postura dos funcionários no atendimento via telefone e apontaram que houve até palavras ofensivas. Júlia, que teria chamado o Samu para socorrer Marlene, alegou na delegacia que o médico, durante atendimento telefônico, fez perguntas para investigar o estado de Marlene e chegou a questionar se a mesma estava morta. "Júlia disse que seria leiga e não saberia dizer se Marlene estava viva ainda ou não. Frente a isso, o médico teria dito que a vítima poderia estar morta e deveria ser chamada a funerária, e não mais o serviço do Samu", alegou Sganzela.

Além da demora do socorro, as testemunhas relataram que foi preciso fazer cerca de três ligações. Como o serviço não vinha, resolveram acionar a Polícia Militar (PM).

O esposo de Marlene, José Carlos, que chegou após o Samu já ter sido acionado por diversas vezes, se mostrou decepcionado com o serviço. "Foi um descaso total o atraso do socorro. Ela aparentava ter boa saúde, estava apenas com uma tosse seca. Eu suspeito de que ela tenha sido vítima de infarto", alegou. A outra vizinha, Maria Conceição, que afirmou ter presenciado o caso, se manifestou revoltada. "Nós pagamos impostos e não temos direito a um serviço digno", disse. Conforme divulgado pelo JC, o médico do Samu que fez o atendimento por telefone foi afastado enquanto o caso é analisado.

Apesar das queixas e reclamações do atendimento prestado por telefone, ainda nada está concluído. Para saber se realmente houve descaso no atendimento, as gravações telefônicas serão ouvidas. "Enviamos hoje (ontem) um ofício ao coordenador do Samu, Carlos Eduardo Sacomandi, pedindo as gravações de ligações realizadas", informou Sganzela.

Dentro dos próximos dias, o delegado informou que ouvirá o motorista e o enfermeiro que foram até a casa de Marlene. "Com mais documentos e informações em mãos, vamos partir para ouvir os médicos e atendentes envolvidos", disse.