São Paulo - O índice de aprovação ao governo Dilma Rousseff, em seus três primeiros meses, supera os alcançados pelas gestões de Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva no início de 1995 e de 2003, segundo pesquisa CNI/Ibope divulgada ontem.
O atual governo é considerado bom ou ótimo por 56% dos brasileiros. O começo das gestões FHC e Lula foi avaliado da mesma forma por 41% e 51% da população, segundo levantamentos do Ibope feitos quando os então presidentes completavam cerca de três meses no cargo.
A pesquisa revelada ontem foi feita entre os dias 20 e 23 de março, logo após a visita do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, ao Brasil - evento que deu a Dilma Rousseff ampla exposição midiática.
Em levantamento feito pelo instituto Datafolha nos dias 15 e 16, antes da chegada de Obama, o índice de ótimo e bom alcançado pelo governo foi de 47%.
A gestão da presidente, segundo o Ibope, é vista como regular por 27%. Apenas 5% consideram o governo ruim ou péssimo.
Nichos
A aprovação é maior entre os que têm escolaridade mais baixa (62% na faixa dos que estudaram até quatro anos) e vivem no Norte/Centro-Oeste (63%). No Nordeste, região onde Dilma teve a vitória mais expressiva na eleição presidencial, o governo é considerado ótimo ou bom por 61%. Nas regiões Sudeste e Sul, respectivamente, os índices são de 53% e 52%.
O instituto também mediu as impressões sobre o desempenho pessoal de Dilma. Nesse caso, a aprovação chega a 73%, contra 13% de desaprovação. Outros 14% não souberam responder.
Nesse caso, Dilma empata tecnicamente com Lula, que tinha 75% de aprovação logo após a estreia no cargo, em 2003. O desempenho pessoal de FHC era aprovado por 64% no terceiro mês após a posse, em 1995.
Comparação
Quase dois terços dos entrevistados (64%) não veem diferenças entre o governo atual e o de Lula. Para 12%, a atual gestão é melhor do que a anterior. E 13% acham que o governo piorou.
O Ibope pediu que os entrevistados avaliassem nove áreas de atuação do governo. Quatro foram aprovadas por mais da metade da população: combate à fome e à pobreza (61%), combate ao desemprego (58%), meio ambiente (54%) e educação (52%). O combate à inflação foi aprovado por 48% a 42%.
Em três áreas, o índice de desaprovação superou o de aprovação: impostos (53% a 36%), saúde (53% a 41%) e segurança pública (49% a 44%). Em relação à política de juros, houve um empate: 43% a 43%.
Para 33% dos entrevistados, o noticiário recente sobre o governo foi favorável a Dilma. Para 7%, as notícias foram desfavoráveis, e neutras para 41%.
Melhor contra fome e pior na saúde
Brasília - Pesquisa CNI/Ibope mostra que a avaliação positiva de 56% do governo Dilma Rousseff se reflete em praticamente todas as suas áreas de atuação. No combate à fome e à pobreza, uma das principais bandeiras do governo petista, a avaliação positiva em março somou 61% - contra 33% que desaprovam as ações do Executivo nesse campo e 6% de indecisos.
O mesmo cenário se repete no combate ao desemprego: 58% avaliam como positivas as ações do governo no setor, contra 35% que desaprovam e 7% de indecisos. Em relação às ações para preservação do meio ambiente, o governo Dilma teve avaliação positiva por 54% dos entrevistados.
O governo teve avaliação negativa dos entrevistados em três setores: segurança pública, saúde e cobrança de impostos. Na área de segurança, 49% dos entrevistados desaprovaram o governo federal, contra 44% que aprovam.
Já na saúde, a avaliação negativa é maior: 53% desaprovam as ações do governo contra 41% que aprovam. Percentual semelhante está na cobrança de impostos: 53% desaprovam as taxações impostas pelo governo, contra 36% favoráveis.
O governo foi bem avaliado nas áreas de educação e combate à inflação. No total, 52% dos entrevistados consideram positivas as ações de Dilma na área de educação, contra 43% que desaprovam. No combate à inflação, 48% aprovam a presidente contra 42% que desaprovam.
Entre os entrevistados, 40% defendem que o combate à inflação deve ser prioritário em relação às demais políticas do governo. Outros 44% defendem que ele tenha prioridade semelhante a outras ações do Executivo e 9% consideram que o tema não deve ser prioritário para o governo.
Em relação à taxa de juros básica da economia imposta pelo Banco Central, houve empate de 43% entre os que aprovam e desaprovam o seu percentual. Outros 14% se mostraram indecisos.