09 de julho de 2026
Internacional

Japão se prepara para isolar reatores

Folhapress
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Tóquio - O Japão receberá na próxima semana duas das três maiores bombas de cimento do mundo. Elas serão usadas para jogar água e, possivelmente, cimento sobre os reatores que tiveram vazamentos de radiação na usina Fukushima 1.

As bombas foram fabricadas pela empresa alemã Putzmeister, a mesma que trabalhou na construção do sarcófago de concreto que isolou o reator 4 da usina de Tchernobil após o acidente nuclear de 1986.

Segundo Kelly Blickle, porta-voz da empresa, as bombas, montadas sobre caminhões de 80 toneladas, são capazes de lançar água ou concreto de uma altura de até 70 metros - por meio de braço flexível.

Elas serão levadas em aviões de carga Antonov para o Japão. Já opera no país uma bomba semelhante, porém capaz de atingir uma altura máxima de 58 metros.

Segundo Aquilino Senra, professor de engenharia nuclear da Coppe-UFRJ, inevitavelmente o Japão terá que construir sarcófagos para isolar a radiação dos reatores acidentados.

"Como houve derretimento em núcleos de reatores, não vai ser possível apenas desmontar as usinas no fim da crise. Os núcleos terão que ser isolados com uma capa grossa de concreto", disse.

Segundo ele, quando uma usina nuclear completa sua vida útil, de até 60 anos, pode ser desmontada e a área pode ser usada até para a construção de moradias.

Mas, como houve derretimento dos núcleos, isso será impossível em Fukushima 1.

Segundo a Putzmeister, a Tepco, proprietária da usina japonesa, afirmou que a princípio as bombas serão usadas só para despejar água sobre os reatores, mas em um segundo momento podem ser usadas com concreto.

Cerca de 24 mil militares japoneses e americanos farão uma busca de três dias por corpos nas áreas atingidas pelo tsunami. Até hoje 16.451 pessoas eram consideradas desaparecidas e 11.578 foram achadas mortas.

O premiê japonês, Naoto Kan, prometeu ontem que o país fará o que for necessário para vencer a batalha contra o superaquecimento da usina nuclear. Disse ainda que, quando a crise acabar, será criado um sistema de segurança nuclear baseado na premissa de que qualquer catástrofe pode acontecer.