08 de julho de 2026
Internacional

UE quer fim de carro a álcool e gasolina


| Tempo de leitura: 3 min

Genebra - A União Europeia quer transformar em realidade o sonho dos ecologistas de banir os carros movidos a gasolina e diesel. A ideia é acabar com esses combustíveis nas cidades europeias até 2050. Na semana passada, Bruxelas propôs proibir carros movidos a "combustíveis convencionais" nas ruas de cidades como Paris, Londres, Madri e Berlim, onde apenas carros elétricos ou transportes públicos seriam autorizados.

A proposta, que causou polêmica, tem o objetivo de reduzir de forma drástica as emissões de CO2. Até 2050, a UE quer baixar em 60% seus níveis de emissões, em comparação a 1990. Mas, para isso, precisará adotar outras medidas, como reduzir os transportes marítimo e aéreo e triplicar a rede ferroviária, diminuindo, assim, o uso de estradas. "Podemos acabar com a dependência do petróleo sem sacrificar a eficiência da economia nem comprometer a mobilidade", disse o comissário europeu de Transportes, Siim Kallas. Ele, porém, admitiu que o objetivo é "muito ambicioso" e exigirá uma "profunda transformação" na forma de locomoção.

Apesar de a Europa ter o melhor sistema de transporte público do mundo, os carros ainda representam 75% da locomoção nas cidades.


Cenário


Se as mudanças avançarem, apenas 50% dos carros que circulam no perímetro urbano poderão utilizar gasolina até 2030. "Isso exigirá mudança de comportamento", disse Kallas.

Nas estradas, os carros a gasolina ainda seriam permitidos. Até os anos 30, a meta é triplicar o número de trens de alta velocidade no continente. Segundo a UE, o projeto melhoria o trânsito, o meio ambiente e a saúde da população.

No setor aéreo, a meta dos europeus é incentivar a redução dos voos de curta distância, que emitem, proporcionalmente, alta taxa de CO2. A migração para os trens também seria proposta para as viagens em que as distâncias são menores do que 300 quilômetros.

Para bancar essa revolução, a UE precisará investir 1,5 trilhão de euros nos próximos 40 anos. O montante parece alto, mas, segundo a Comissão Europeia, é equivalente a sete anos de importação de petróleo. Por ano, o continente europeu gasta 210 bilhões de euros para importar o combustível.

A resistência, porém, será, acima de tudo, política: será preciso convencer os 27 países do bloco a seguir o plano. Os países escandinavos já indicaram que a proposta é "inovadora e revolucionária" e estão dispostos a discuti-la. Os governos terão de seis meses a um ano para fazer seus comentários e iniciar as negociações sobre o plano final.

As reações negativas começaram a surgir depois do anúncio do projeto. O Greenpeace comemorou a ideia, mas afirmou que a UE não tem hoje uma estratégia coerente para permitir que esse ambicioso projeto se transforme em realidade.

As críticas mais duras foram feitas pelos fabricantes de carros. Para a Associação Europeia de Fabricantes de Automóveis, a UE está dando um "sinal equivocado" ao propor o fim dos carros movidos a gasolina.

Na Espanha, os fabricantes reagiram e argumentaram que os veículos a diesel já conseguiram reduzir em 99% a taxa de emissões de partículas em apenas cinco anos.