09 de julho de 2026
Internacional

Conflitos aumentam na Costa do Marfim; 800 morrem no oeste


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Abidjan - Soldados leais a Alassane Ouattara encontraram ontem forte resistência de combatentes do presidente Laurent Gbagbo na Capital da Costa do Marfim, Abidjan, enquanto ambos os lados lutam pelo controle do país do oeste africano.

Houve confrontos entre forças leais aos dois rivais nos arredores do Palácio Presidencial, na emissora estatal RTI e em bases militares. Um repórter da Reuters ouviu tiros e explosões de pesados bombardeios perto do palácio durante toda a manhã.

Em um sinal de quão sangrento o conflito se tornou, o Comitê Internacional da Cruz Vermelha afirmou que pelo menos 800 pessoas foram mortas em combates na cidade de Duekoue, localizada no oeste do país, nesta semana. Isso levaria o número de mortos nos conflitos, iniciados desde as eleições presidenciais, nas quais Ouattara foi reconhecido internacionalmente como vencedor, a 1.300 pessoas.

Os números reais, contudo, devem ser muito maiores, pois os combates têm sido muito sangrentos e as forças de Gbagbo raramente divulgam suas baixas ou os civis que mataram. Tiroteios e sons de armamentos pesados foram ouvidos em Abidjan enquanto os ex-rebeldes do país realizavam uma ofensiva para derrubar Gbagbo, que se recusou a deixar o poder.

Forças pró-Gbagbo mantiveram o controle da RTI, que voltou ao ar no final da sexta-feira após os conflitos terem causado a queda do sinal, com discursos de Ouattara. Uma autoridade do Exército, cercada por soldados, anunciou na RTI ontem que todos os membros das forças de segurança de Gbagbo devem se mobilizar para lutar contra a ofensiva dos combatentes de Ouattara.

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Organização católica aponta mil mortos


Abidjan - A organização de assistência humanitária Caritas, ligada à Igreja Católica, informou ontem que mais mil civis morreram durante os confrontos recentes na Costa do Marfim, em Duekoue (região oeste do país).

A cidade e seus arredores, foram atingidos várias vezes pela violência, sendo um importante cruzamento estratégico do oeste do país. Mas representantes da ONU, que têm um contingente de aproximadamente mil soldados no país africano, não confirmaram esses números.

O porta-voz da organização católica, Patrick Nicholson, afirmou que trabalhadores da Caritas visitaram Duekoue e encontraram centenas de corpos com marcas de balas além de vários mortos por cortes de facão.

Nicholson disse ainda que as mortes ocorreram em pouco mais de três dias, o período nas localidades sob controle das tropas leais ao presidente Alassane Ouattara. No entanto, não estava claro quem foram os responsáveis pelo massacre.

Ele afirmou ainda que muitas das vítimas incluem refugiados, que tentavam escapar dos vários combates travados entre as forças leais à Quattara, eleito em novembro, e o líder do governo marfinense, Laurent Gbagbo, que não reconhece o resultado das eleições e se recusa a deixar o poder.