Olha a cabeleira do Zezé!
Converter madeixas armadas, quebradiças e com pouco brilho em fios lisos e luminosos é uma das grandes batalhas travadas por mulheres, homens e cachorros que buscam a perfeição estética. Cachorros? Sim, você entendeu direito. Os cães, sejam eles machos ou fêmeas, também entraram na dança e aderiram às selagens progressivas e à vinhoterapia, tratamentos já famosos nos salões de beleza convencionais.
Amparadas por um arsenal de cosméticos específicos para o público canino, as técnicas de alisamento e amaciamento dos pelos chegaram aos pet shops da cidade há cerca de dois anos e rapidamente ganharam adeptos.
Frederico Julian Bruscki, proprietário de um centro veterinário localizado no Jardim Marambá, afirma que o tratamento não oferece risco à saúde do animal e é indicado especialmente para raças de pelos longos. "O público que aderiu à estas técnicas é composto, em sua maioria, por pessoas que permitem que o animal viva dentro de casa ou do apartamento. Esses clientes têm um cuidado especial com o pet, querem vê-los limpinhos, cheirosos e com a aparência impecável", explica Frederico.
A selagem progressiva é o tratamento estético mais caro encontrado no mercado: custa em torno de R$ 50,00 e demora cerca de duas horas para ser aplicado. A técnica consiste em dar banho no cachorro com shampoo de limpeza profunda e ação tonificante, que tem a função de realçar a cor e abrir os fios para receber as proteínas de um segundo produto, que é aplicado na sequência por meio de um borrifador.
"Depois retiramos o excesso com uma toalha e aplicamos um hidratante nos pelos. Por último, já com a pelagem de bem seca, é feita a selagem com a chapinha. Fica superliso e macio", detalha Frederico.
Agulhadas do bem
Doug tem 14 anos e é um legítimo descendente da raça Dachshund, também conhecida como cofap ou salsicha. Na infância foi um sucesso entre os amigos e conhecidos: brincalhão, chamava a atenção pelo corpo alongado e baixa estatura.
Porém, com a chegada da velhice, Doug passou a ter problemas na coluna, característicos de sua raça, e sua alegria foi sufocada pela dor.
Vendo o velho amigo sofrer, Fátima Cristina Ávila Casaletthi, dona do Doug, decidiu levá-lo a um veterinário, que recomendou cirurgia para corrigir o problema.
"Fiquei desesperada pois achei que ele iria sofrer muito. Foi quando pesquisei na internet, troquei e-mails com pessoas que os cães tiveram o mesmo problema e fiquei sabendo de um método alternativo: a acupuntura", conta Fátima.
Mas encontrar uma clínica veterinária que aplicasse a técnica na cidade não foi tarefa fácil, isto porque, embora seja uma ciência milenar, a acupuntura ainda é pouco utilizada em países do ocidente, principalmente em animais de pequeno porte como cães e gatos.
"No Brasil, especialmente em cidades do Interior, a técnica ainda é pouco difundida. Em Bauru, as primeiras clínicas que atuam no segmento pet surgiram há cerca de cinco anos, mas ainda assim muita gente desconhece os benefícios da acupuntura", explica a veterinária Gisele Henneman, que pontua que apenas os equinos recorrem frequentemente ao tratamento com agulhas.
A acupuntura animal é indicada para tratar doenças osseoarticulares, como paralisia e problemas na coluna, problemas de pele e respiratórios, além de ser benéfica para acelerar a recuperação pós-cirúrgica.
No caso de Doug foram necessárias sete sessões para que ele sentisse melhoras significativas, mas, de acordo com a veterinária, este número depende de cada caso em específico. Cada sessão dura em torno de 30 minutos e custa, em média, R$ 50,00.
Colorido especial
Onde eles chegam todo mundo para pra olhar. E não é para menos, afinal, cachorros amarelos, cor-de-rosa, azuis, com todas essas cores juntas ou ainda caracterizados de panda não são muito comuns de se ver passeando pelas ruas da cidade.
Mas não se assuste. Eles não são originais de fábrica e tiveram de passar por um grande processo de transformação para ganharem características tão peculiares: a tintura dos pelos.
Apesar de pouco utilizada, a técnica de colorir os pets chegou à cidade há cerca de cinco anos, quando a indústria cosmética lançou produtos específicos para isso. Até então, um ou outro cão até podia ser visto circulando por aí com as madeixas em tonalidades exóticas, porém, o tingimento era feito à base de papel crepom, de forma precária e arriscada.
Atualmente, além de terem a opção de tingir seus cães, os donos ainda podem decidir se querem fazer isso de maneira definitiva ou temporária.
"Existem tintas que são como os sprays carnavalescos para cabelo, saem na primeira lavagem, outras saem após alguns banhos. Mas também existe a tintura permanente, que é similar à aplicada no cabelo dos humanos, desbota com o tempo, mas não sai completamente. No caso dos animais é preciso tosar para tirar", explica Johnny Hebert Franco, dono de pet shop e esteticista canino há 23 anos.
Bob, o poodle-panda, é um dos adeptos da tintura para pelos mais famosos da cidade. Ele chama a atenção por onde passa, é o orgulho de sua dona Carolina Dalla Costa, e chega a enganar até mesmo os olhares mais atentos, que acham que as perninhas e a borda dos olhos pretos são característicos de sua raça.
Mas Bob é poodle de nascença e descobriu sua vocação para panda por acaso, há dois anos, logo que se mudou para Bauru.
"Ele sempre foi extremamente branco. Quando cheguei na cidade, logo no primeiro dia, o Bob me deu um susto: desapareceu. Algumas horas depois, voltou para casa imundo, todo animado. Foi quando pedi para meu marido levá-lo ao pet shop mais próximo. Chegando lá, o esteticista nos propôs pintá-lo de panda", conta a dona.
A partir daí, não é preciso ser adivinho para saber o fim da história: Carolina e o marido aceitaram a proposta e desde então Bob nunca mais foi um poodle normal. A cada três meses ele vai ao pet shop para retocar as madeixas.
Mas colorir o pet não é uma técnica fácil e barata, demanda habilidade por parte do esteticista, leva em torno de três horas de trabalho e custa cerca de R$ 70,00.
" Mas vale a pena. O Bob continua muito fujão e pintado assim todo mundo do condomínio o reconhece e sabe onde ele mora. Agora ele é pai, teve uma filhote poodle e que logo logo vai virar panda também", planeja Carolina, rindo.
Fashions e gulosos
Pastéis, pirulitos, cenouras, coxinhas de frangos e chinelos. O que estas coisas têm em comum? A resposta é simples: todas são novidade no segmentos de alimentos para cães.
Na verdade, o que varia é apenas o formato e a cor da guloseima, já que todas elas são compostas por farinha e couro de boi, assim como os tradicionais ossinhos. Porém, o simples fato de serem coloridas e lembrarem objetos e alimentos consumidos por humanos já são suficientes para alavancar as vendas dos produtos.
Dentre os ossos, os mais baratos são os em forma de palitos, que custam R$ 0,10 a unidade. Os chinelos e pastéis custam cerca de R$ 2,00. Já os ossos maiores, mais elaborados, podem sair por até R$ 15,00.
Mas a variedade no cardápio canino não para por aí. Agora os pets contam também com guloseimas como chocolate, molho para ração, patê, mortadela canina e até refrigerante.
Os chocolates, que custam entre R$ 0,50 e R$ 3,00, são encontrados mais facilmente nos pet shops e não são compostos pelos mesmos ingredientes da iguaria humana.
"Eles tem apenas cheiro e um sabor similar ao chocolate, mas não são como os convencionais, já que o cacau faz mal para os cães", explica a veterinária Juliana Theodoro de Souza Angerami. Os refrigerantes, que ainda são raros nos pet shops da cidade, têm 450 ml e custam em torno de R$ 8,00 a lata. Com relação às roupas para pets, embora não sejam novidade no mercado, continuam gerando inovações e atraindo a atenção dos consumidores. Atualmente, existem até capas de chuva para cães, que custam entre R$ 30,00 e R$ 60,00.
Gato sabor chocolate
Se depender dos pet shops da cidade, a máxima que afirma que gatos não gostam de tomar banho está com os dias contados. Isto porque, segundo empresários do setor, os felinos não só gostam de água como também demonstram preferência por banhos incrementados com produtos cheirosos.
"Tudo é uma questão de costume. Se o gato toma banho com frequência desde que nasceu não demonstra aversão à água, pelo contrário, eles até gostam", afirma Analici Martini Carvalho, de um pet shop localizado na Vila Universitária.
Por lá, os banhos com aroma de chocolate e de vinho são os mais procurados, especialmente por donos de gatos da raça persa, que tem os pelos longos e que acumulam com facilidades sujeiras e nós.
Além de limpar, o banho com cheiro tem a função de hidratar os pelos e custa em torno de R$ 30,00, R$ 7,00 a mais que o banho convencional para felinos.
Até cerca de dois anos, os banhos aromáticos eram exclusividade dos cães, cenário que mudou devido ao aumento da procura por gatos.
"Em Bauru, existem muitos estudantes que moram sozinhos e optam por ter em casa um gato para companhia. Os felinos são animais mais independentes, que dão menos trabalho, ideais para locais pequenos", explica Analici.
Outra novidade que tem movimentado o setor são os brinquedos estimuladores que, entre outras funções, servem para educar o animal com relação a hábitos alimentares e fisiológicos. Além deles, as fontes de água também são bastante procuradas e custam em torno de R$ 250,00.
"Elas deixam a água o tempo todo em movimento e os gatos adoram. Com elas os animais passam a beber mais líquido, já que geralmente os felinos são resistentes à água parada, gostam de tudo fresquinho", pontua.
Uma creche animal
Chinelos roídos, móveis estragados e xixi por toda a parte. Estes são os sinais que os cães dão quando, por algum motivo, não gastam a energia que possuem de uma maneira adequada e, visivelmente, estão muito insatisfeitos com isso.
Muitas peraltices podem parecer coisa de cachorro travesso mas, na maioria das vezes, são características de cães que passam boa parte do dia solitários, aguardando o retorno do dono depois de um longo dia de trabalho.
Para acabar com o problema, os empresários voltados ao mundo pet criaram as creches para cachorro, que funcionam como uma espécie de escola infantil, oferecendo diversão, adestramento e até mesmo aulas de natação.
Até o momento apenas cidades como Niterói, no Rio de Janeiro; Porto Alegre, no Rio Grande do Sul; e São Paulo contavam com este serviço, mas dentro de cerca de três meses Bauru também figurará nesta lista.
A ideia de trazer o serviço para a cidade foi do esteticista canino e dono de pet shop Johnny Hebert Franco, que notou que seus cães-clientes estavam apresentando problemas frutos da solidão.
"Por conta disso, ampliei a parte do fundo do pet shop e programei a instalação de piscina, playground, obstáculos de agility e a contratação de um adestrador. Com tantas atividades é impossível que o cão tenha depressão", explica.
A diária deve ficar entre R$ 30,00 e R$ 40,00, preço que pode variar de acordo com a quantidade de dias da semana que o dono optar por deixar o mascote na creche.