09 de julho de 2026
Bairros

Bairros são redutos de pet shops

Wanessa Ferrari
| Tempo de leitura: 4 min

Até alguns anos atrás, levar o cachorro ou o gato para tomar banho em pet shop era considerado, por muitas pessoas, luxo. Cachorros bons eram os bravos, que passavam o dia correndo, latindo e chafurdando a terra do quintal. No fim do dia, dormiam fora de casa, sem resmungar.

Naquela época, nem tão remota assim, os cães tomavam banhos caseiros, uma vez por mês e olhe lá, já que em épocas de frio, geralmente, o bicho era poupado da água fria da mangueira. Quanto aos gatos... o que é banho, mesmo?

Mas os tempos mudaram e hoje em dia é clichê dizer que o cachorro ou o bichano é como um integrante querido para a família que o abriga. Aliás, há algum tempo, os pets passaram a ser mais que isso: tornaram-se o mimo e o centro das atenções de seus donos.

Levar o cachorro para tomar banho no pet shop pelo menos uma vez a cada 15 dias, quando não uma vez por semana, por exemplo, tornou-se tão essencial quanto alimentá-lo corretamente com as rações adequadas para sua raça e idade. Além disso, roupas, acessórios e petiscos também foram incorporados à rotina do animal.

Foi então que, na esteira da humanização dos animais domésticos, começaram a pipocar pelos quatro cantos da cidade empresas especializadas em oferecer todo tipo de tratamento à cães e gatos, que vão de cirurgias à terapias, perpassando cuidados estéticos.

Em Bauru, segundo informações da prefeitura, existem 21 clínicas veterinárias e 46 pet shops cadastrados - sendo que estes últimos nem sempre contam com a presença de um médico veterinário.

Com tanta concorrência e na tentativa de conquistar a atenção e a preferência dos amantes dos animais, seus clientes mais promissores, muitas destas empresas apostam suas fichas nas mais variadas novidades, que vão da hidratação dos pelos à refrigerante canino.

De acordo com Frederico Julian Bruscki, proprietário de uma clínica no Jardim Marambá, para manter-se concorrente é preciso estar atento às novidades do mercado e concentrar a maior quantidade de serviços possíveis para os pets em um único lugar, além de nunca se esquecer da qualidade.

"Aqui na clínica, por exemplo, temos hospedagem, farmácia, centro cirúrgico, venda de filhotes, banho e tosa e tratamentos estéticos. Se uma pessoa compra um filhote conosco fazemos o máximo para oferecer à ela todo o suporte necessário", frisa.

No setor estético, a selagem progressiva, que alisa o pelo do cachorro, e as hidratações à base de chocolate, vinho, morango, entre outras guloseimas são os serviços mais procurados. Mas há também quem arrisque tingir o pelo do pet com cores berrantes, como rosa e amarelo, por exemplo.

No departamento de petiscos, ossos em formatos variados, como chinelos, pastéis e coxas de frango estão chamando a atenção e são bastante procurados. Além deles, refrigerantes caninos, molhos e patês também já podem ser encontrados nos pet shops da cidade e disputam sua fatia no mercado.

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Risco de intoxicação


À primeira vista, ter um cão colorido, com os pelos superlisos, cheirando a chocolate e que come chinelos e pastéis (de mentirinha!) acompanhados de algum molho pode parecer divertido, chique e até mesmo tentador. Porém, o que pouca gente sabe é que, embora todos estes apetrechos tenham sido desenvolvidos especialmente para os pets, se mal administrados, eles podem, sim, causar problemas de saúde ao bicho.

No caso dos tratamentos estéticos, por exemplo, além da alergia, eles podem ocasionar doenças de pele e irritação no animal. De acordo com Juliana Theodoro de Souza Angerami, a veterinária do hospital da Universidade Paulista (Unip) de Bauru, hidratações e alisamentos só são recomendados para animais que têm o pelos ressecados e que adquirem nós com facilidade.

"Se for o alisamento ou a hidratação foi feita por pura vaidade estética eu não recomendo. Isto porque este tipo de tratamento submete o bicho a um estresse desnecessário, além de que o produto pode, sim, causar alergia", argumenta.

Quanto aos shampoos e tratamentos com cheiro, a veterinária também indica evitá-los. De acordo com ela, por mais suave que seja o aroma, o animal tende a se incomodar, já que seu faro é muito apurado.

Outra recomendação de Juliana é jamais tingir os pelos dos animais. "Por mais que as tintas sejam específicas para isso, defendo que não há necessidade. O animal corre o risco de se intoxicar por puro capricho", critica.

Além dos tratamentos estéticos e terapêuticos, os petiscos também estão na lista de produtos que podem comprometer a saúde dos pets, em especial os de coloração e aroma acentuados.

"O ideal é evitar ou dá-los ao animal como bonificação, esporadicamente, por um bom comportamento. O que não pode é deixar que o bicho se acostume e troque a ração, que é balanceada, pelos petiscos, que contém menos proteínas e mais gorduras", orienta.

Já os tradicionais ossos brancos estão liberados. Além de serem um atrativo para o bicho ainda auxiliam na limpeza dos dentes e evitam a formação de tártaros.