09 de julho de 2026
Política

Após consertos, DAE deixa 600 buracos

Por Vitor Oshiro | Com Redação
| Tempo de leitura: 6 min

O morador sai no portão de sua residência e se depara com um problema bem em frente de casa: vazamento causado por tubos rompidos. Após acionar o Departamento de Água e Esgoto (DAE), uma equipe vai ao local e conserta o cano que estava vazando. Problema solucionado, certo? Errado. Segundo dados do próprio DAE, Bauru tem atualmente cerca de 600 buracos abertos para consertos de vazamentos e que a autarquia não deu conta de fechar.

A informação é do diretor da Divisão Técnica do DAE, Manuelino Câmara Filho. Segundo ele, até a última sexta-feira eram 595 buracos abertos pela autarquia e que ainda aguardavam para serem tapados.

"Para fechar todos esses buracos dependemos de dois fatores. O primeiro é a massa asfáltica, que é fornecida pela prefeitura. Já o segundo ponto que influencia é o número de caminhões que temos para fazer esse serviço", afirma.

Em relação ao asfalto, o diretor aponta que, quando a prefeitura não fornece o asfalto necessário, é adotada uma medida paliativa para contornar o problema. "Estamos utilizando pedra brita para tentar tapar os buracos quando não tem asfalto. Mas é uma solução apenas paliativa. Não é o fechamento definitivo".

É o ditado "tapar o sol com a peneira" sendo aplicado no estilo "tapar o buraco com pedra brita". E o efeito ineficaz é semelhante. Inúmeros moradores reclamam que o DAE faz a manutenção e aparentemente conserta o problema, porém, os buracos voltam ainda maiores.

"Isso realmente pode acontecer. Principalmente quando chove. O solo de Bauru é muito arenoso, e com a declividade das águas das chuvas, a erosão pode aumentar ainda mais", explica Manuelino Filho.

Ainda segundo ele, a quantidade da frota para esse tipo de serviço também contribui para que o problema não seja solucionado de maneira rápida. "Temos somente três caminhões para dar conta da cidade toda. Fazemos uma média de 140 consertos de vazamentos diários. Em uma situação comum, os nossos caminhões dão conta de tapar todos esses consertos que fazemos. Mas a demanda está muito acumulada devido ao período de fortes e constantes chuvas pelo qual a cidade passou no início deste ano", explica.

As chuvas aumentam, de acordo com o diretor da Divisão Técnica, em média 80% o número de vazamentos, o que geraria uma demanda diária de aproximadamente 250 reclamações dos moradores.


Problemas


Com essa grande demanda acumulada e a impossibilidade de solucionar o problema de modo rápido, a população é que sofre. É o caso de Alessandra Moreira da Silva, 37 anos, que já tem prejuízos por conta do buraco que foi aberto pelo DAE e não foi tapado.

Ela é proprietária de uma farmácia na quadra 3 da rua André Bonachella Palliaressi, no Núcleo Habitacional José Regino. "O DAE abriu para consertar um cano entupido e está aberto até hoje. Já faz mais de um mês que isso aconteceu. Está atrapalhando porque os carros passam e jogam lama dentro da farmácia. Chegou até mesmo a afastar meus clientes", reclama.

A rua tem caráter amplamente comercial e, além da farmácia, ainda tem uma padaria, mercado, entre outros estabelecimentos.

O diretor da Divisão Técnica do DAE afirma ter dimensão do problema e explica que a autarquia trabalha para tentar contorná-lo. "Se não chover mais, acho que, em 30 dias, conseguiremos ?botar ordem na casa?".

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Pior problema


Segundo o diretor da Divisão Técnica do DAE, Manuelino Câmara Filho, o principal problema da autarquia é que a tubulação da rede de água e esgoto é muito antiga. Com isso, os vazamentos aparecem e os consertos são necessários. É para a realização desses reparos que a autarquia abre os buracos e depois não dá conta de tapar.

Datados de 1912, os tubos foram fabricados em ferro e são bastante propícios aos vazamentos. "Seria correto que fosse tudo de PVC, que é mais moderno e o risco de rompimento é muito menor. Em núcleos como o Mary Dota e o Bauru 1, por exemplo, é tudo PAD (Polietileno de alta densidade), um material que não se usa mais".

Hoje, estão enterrados no chão de Bauru cerca de 3.170 quilômetros de dutos, sendo 1.600 quilômetros que servem a rede de água e 1.570 quilômetros utilizados para a rede de esgoto. Na cidade, cerca de 98% das residências contam com fornecimento de água encanada e 90% com coleta de esgoto.

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Descompasso com crescimento


Com tantas reclamações e o sentimento de "correr atrás do prejuízo", a visão é de que o DAE não acompanha o crescimento veloz de Bauru. O diretor da Divisão Técnica do DAE, Manuelino Filho, afirma que "aparecem muitos conjuntos habitacionais e que, assim como o município, eles crescem muito rápido. Por isso, fica difícil acompanhar mesmo".

Em relação ao quadro de funcionários, ele aponta que mais duas duplas ajudariam no serviço e que investimentos estão sendo feitos. "Estamos investindo pesado para suprir essa demanda, inclusive na substituição da rede de água e esgoto".

Para dimensionar as principais necessidades do DAE atualmente e o que seria preciso para que a autarquia entrasse em compasso com o crescimento de Bauru, a reportagem solicitou à assessoria de comunicação um relatório com tais apontamentos e entrevista com o presidente do DAE, André Andreoli.

Entretanto, a resposta foi de que o relatório seria enviado em "momento oportuno" e que a entrevista não seria viável para elucidar a questão, uma vez que esse assunto não pode ser tratado de forma pessoal.

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Vazamentos também preocupam


Se a população reclama dos casos em que o vazamento é consertado e o buraco permanece, há outros em que nem mesmo o primeiro serviço é feito. Roberto Sidnei de Andrade, 45 anos, mora na quadra 7 da Alameda das Hortências e aponta exatamente essa realidade.

Segundo ele, há um mês a água jorra de dentro do chão firme. Ao contrário do que os crédulos poderiam pensar ser um milagre divino, a responsabilidade do fato é, de acordo com ele, da morosidade do Departamento de Água e Esgoto (DAE).

"Eu ligo toda a semana e peço para alguém vir consertar. Eles dizem que vão reforçar o pedido, mas nunca fazem nada. Eu estava com um problema de cano vazando na minha casa e eu, que sou uma pessoa comum, resolvi em um fim de semana. Isso está aqui há um mês e o DAE não resolve", reclama Roberto de Andrade.

Segundo ele, há uma preocupação tanto material quanto ambiental. "Estou preocupado que essa água infiltre no meu muro e comprometa a estrutura. Mas, também penso no mal que o fato causa ao meio ambiente. Está todo mundo discutindo o desperdício e aqui a quantidade de água perdida é enorme".

De acordo com estimativas do próprio DAE, quase 40% de toda a água produzida em Bauru é desperdiçada antes de chegar às residências, indústrias e estabelecimentos comerciais da cidade. O prejuízo calculado é de cerca de R$ 2 milhões mensais.

Questionado acerca do fato, o diretor da Divisão Técnica do DAE, Manuelino Câmara Filho, afirma que os serviços são feitos de acordo com prioridades, o que revela a insuficiência da autarquia em dar conta de toda a demanda da cidade. "A região da Alameda das Hortências é o setor 6. Lá, temos 168 serviços a fazer. Analisamos cada caso e atendemos por prioridade qual é o mais urgente", explica.

Segundo o diretor, até sexta-feira havia 445 reparos de vazamentos que ainda não haviam sido executados na cidade. "Estamos fazendo um mutirão de sábado para tentar dar conta desse problema. Queremos solucionar tudo que foi acumulado com as chuvas", informa.

Conforme o JC veiculou em janeiro deste ano, a insatisfação da população é uma constante. Diariamente são cerca de 150 reclamações, o que equivale a 54 mil queixas anuais.