08 de julho de 2026
Regional

Bambu beneficia comunidade rural

Da Redação
| Tempo de leitura: 3 min

A versatilidade do uso do bambu tem garantido uma alternativa de renda a trabalhadores rurais do assentamento do Horto Aimorés. Eles são atendidos por um projeto de extensão coordenado pelo engenheiro agrônomo Marco Antônio dos Reis Pereira, professor da Faculdade de Engenharia (FE), câmpus de Bauru.

Neste mês, a comunidade iniciará as obras de uma marcenaria no local. O barracão será quase todo constituído de bambu, taipas e pneus usados. Apenas a parte externa será rebocada - o interior deixará à mostra o caule da planta.

Quando a estrutura estiver pronta, os assentados não precisarão mais se deslocar até a Universidade para realizar seus trabalhos. Os alunos também passarão a visitar mais o assentamento, o que permitirá uma interação maior com a comunidade em outras áreas.

"Nosso objetivo é incluir cada vez mais estudantes e pesquisadores de diferentes cursos", afirma Pereira. A equipe é multidisciplinar e conta, hoje, com 15 estudantes de arquitetura, design, biologia, psicologia e engenharias mecânica e civil. A cada ano, graduandos se formam e deixam o grupo e outros são selecionados para ingressar.

Móveis, fruteiras, vasos, copos, talheres e luminárias são algumas das obras confeccionadas. Os jovens e os trabalhadores rurais trocam conhecimento para fabricar as peças. Algumas são concebidas pelos assentados e se tornam mais sofisticadas com sugestões dos alunos. Em outros casos, há minicursos oferecidos aos artesãos, que aprendem a fazer determinados objetos. A produção é vendida em feiras municipais de Bauru e cidades vizinhas.

"A cada dia descobrimos um novo uso para o bambu e mais famílias são capacitadas para esse trabalho", afirma o artesão José Maria Rodrigues, morador do assentamento Aimorés. Ele relata que a Universidade doou mudas do vegetal para serem plantadas no local, o que já permitiu iniciar também o cultivo do broto de bambu, um alimento popular na Ásia e já bastante procurado pelo consumidor brasileiro.

Criado em 1990, o Projeto Bambu tem o apoio da Pró-Reitoria de Extensão e do programa Universidade Solidária, do Banco Santander. Parte dos estudantes também recebe bolsa de iniciação científica da Pró-Reitoria de Pesquisa e do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico). A ação deu origem a dois grupos de trabalho: o Viverde, composto por estudantes e professores da Unesp, e o Taquara, que inclui agricultores, além de integrantes do próprio Viverde. É possível obter detalhes sobre as peças fabricadas por eles no site www.flickr.com/photos/grupoviverde/.

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?Facebook? do bambu


Em paralelo ao trabalho de extensão, Pereira mantém diferentes pesquisas sobre esse vegetal (confira reportagem especial da revista Unesp Ciência, edição número 8). O cientista foi à China, maior produtor da gramínea, para realizar um curso de especialização sobre o tema, em 2001.

Na década de 90, ele difundiu o uso do bambu como tubulação para sistemas de irrigação. Em 2009, ajudou a desenvolver o bambu laminado colado (BLC) utilizado na confecção da primeira guitarra digital de bambu do mundo. O protótipo foi o vencedor do prêmio Idea Brasil daquele ano, uma versão do renomado Idea (International Design Excellence Awards), dos Estados Unidos.

Segundo o professor, o que mais impressiona é o rápido crescimento da planta: com dois anos, já serve como material para artesanato, e aos três anos tem a dureza necessária para a construção civil. Árvores que fornecem madeira de lei levam cerca de 18 anos para atingir essa maturidade, diz ele. "Com a extinção de espécies usadas pela indústria moveleira, o preconceito e a resistência de empresários e consumidores ao bambu tende a diminuir."

A popularidade dessa matéria-prima tem aumentado. As bicicletas de bambu, já conhecidas em países da África, têm conquistado fabricantes nos EUA e na Alemanha. No Brasil, há agências de design especializadas em criar produtos com o material. Até uma Rede Social do Bambu foi criada na Internet. O site http://bamboo.ning.com/, que funciona como uma espécie de "Facebook", reúne cientistas, arquitetos, engenheiros e artistas interessados em trocar informações sobre a planta. O professor Pereira, claro, é um membro da comunidade virtual.