08 de julho de 2026
Geral

Médicos de planos de saúde param dia 7

Luciele Velluto
| Tempo de leitura: 2 min

Nesta quinta-feira, Dia Mundial da Saúde, médicos de todo o Brasil - incluindo Bauru - farão uma paralisação de um dia contra os planos de saúde. Nesta data, as consultas e procedimentos marcados através dos convênios médicos não serão feitos e os pacientes terão seu atendimento remarcado para outro dia.

De acordo com o presidente do Conselho Regional de Medicina do Estados de São Paulo (Cremesp), Renato Azevedo Junior, os atendimentos de emergência e urgência serão mantidos. O movimento é a maneira que os profissionais encontraram para protestar contra os baixos valores repassados aos médicos por cada procedimento ou consulta feitos através de planos de saúde e as condições precárias de trabalho.

A Regional Bauru da Associação Paulista de Medicina (APM), coordenada pelo médico Eduardo Tolentino, destaca que 7 de abril será um dia de alerta em defesa da saúde e da prática segura da medicina. A paralisação de um dia está sendo vista como uma pausa para reflexão.

"Em média, o médico recebe R$ 40,00 por consulta (via planos de saúde). Subtraindo-se o custo do consultório, ele fica só com R$ 5,00. A solução para muitos tem sido fechar o consultório ou não atender os planos de saúde", revela o presidente do Cremesp.


Inflação


Segundo Azevedo Junior, a categoria busca entendimento com os planos e com a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), órgão que regula o setor, há dois anos.

"Justificamos que a defasagem dos honorários é muito grande. Enquanto a inflação subiu 106,33% de acordo com o IPCA entre 2000 e 2010, o reajuste da ANS para os planos foi de 132,97%. A correção das operadoras para o que é pago aos médicos foi de 44% no mesmo período", observa.

Em Bauru existem aproximadamente mil médicos atuando, segundo dados do Conselho Regional de Medicina. A expectativa é de que pelo menos 40% deles participem da paralisação de protesto na próxima quinta-feira.

O Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) informa ser favorável ao movimento dos médicos, desde que as consultas sejam remarcadas para dias próximos e o atendimento emergencial seja mantido.

"O consumidor não pode ser prejudicado. Se não foi avisado, ele pode pedir a remarcação da consulta com o médico ou operadora, além de pedir reembolso de eventuais despesas", diz Juliana Ferreira, advogada da entidade de defesa do consumidor. A ANS e os planos de saúde não se manifestaram.