08 de julho de 2026
Nacional

Agência eleva nota de risco do Brasil

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Brasília - Uma semana após a agência de classificação de risco S&P (Standard & Poor?s) ter indicado que a nota do Brasil poderia ser rebaixada, outra agência, a Fitch, elevou sua classificação para o país.

Destacando a disposição do novo governo em reduzir gastos, a Fitch subiu a nota de crédito do Brasil de BBB- para BBB. Foi a primeira elevação da agência desde maio de 2008, quando a Fitch reconheceu o Brasil como grau de investimento - espécie de selo de segurança para quem investe em títulos do país.

O Brasil passa a ter a classificação de países como México e Rússia. Faltam oito notas para o nível máximo.

O Brasil também é considerado grau de investimento pela S&P e pela Moody?s. No entanto, a diretora-executiva da S&P do Brasil, Milena Zaniboni, disse, na terça passada, que o país poderia sofrer rebaixamento caso não cumprisse a meta de superavit primário - economia para pagar os juros da dívida.

A meta, que em 2011 equivale a 2,9% do PIB, não foi cumprida nos últimos dois anos. Mas ontem o diretor de notas soberanas para América Latina da S&P, Sebastián Briozzo, disse que a probabilidade de a nota do Brasil ser rebaixada é pequena.

A agência mantém perspectiva estável para a classificação brasileira e, segundo Briozzo, é mais provável que fique assim ou seja elevada.

"A questão fiscal é muito importante para nós. São apenas os três primeiros meses do governo, é cedo para ter uma decisão", disse.

Já a Fitch avalia que anúncio de corte de R$ 50 bilhões, repasse menor para o BNDES e reajuste moderado do salário mínimo sinalizam maior responsabilidade fiscal.


Reconhecimento


O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, afirmou que a melhora na nota de crédito do Brasil no exterior "é um reconhecimento da consistência da política econômica" e da melhora de seus fundamentos nos últimos anos.

Em nota, a instituição diz que esses resultados foram alcançados "por meio das políticas de metas de inflação, câmbio flutuante, acúmulo de reservas internacionais, responsabilidade fiscal e solidez do Sistema Financeiro".

"Esses bons fundamentos da economia brasileira proporcionam melhores condições para o crescimento sustentável e concorrem para a contínua queda no custo de financiamento do investimento que o país demanda e continuará a demandar nos próximos anos", diz o presidente do BC em nota. "As boas notícias, contudo, não diminuem a determinação do Banco Central em continuar trabalhando para que os avanços obtidos até agora continuem a ocorrer em um ambiente econômico de estabilidade monetária e solidez financeira."

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Melhora atrai mais dólares para o país


Brasília ? A decisão da agência de classificação de risco Fitch Ratings de melhorar a classificação do Brasil pode elevar a entrada de dólares no Brasil, o que não deixa de ser um problema, na opinião do ministro da Fazenda, Guido Mantega. Segundo ele, quanto mais sólida a economia brasileira, mas o país tende a atrair investimentos externos e, consequentemente, dólares.

"Mas é melhor ter esse problema de excesso de dólares do que o problema que tínhamos no passado de falta de dólares", disse Mantega. O ministro não descartou novas medidas para conter o excesso de dólares destinados pelos investidores estrangeiros ao Brasil, devido à solidez econômica do país e às taxas de juros.