08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

O SUMIÇO DE ABELHAS APIS


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Temos recebido notícias que no mundo inteiro está havendo o desaparecimento de abelhas que abandonam as colméias, simplesmente somem. Alguns culpam a telefonia celular, outros o tsunami que mudou o eixo da Terra, outros os venenos modernos; mas o problema é bem mais complexo. Primeiro: nós temos uma abelha enfraquecida principalmente na Europa, América do Norte e Argentina, por ter navegado por mãos humanas contra a lei da evolução das espécies. Sabe-se que uma futura rainha de abelhas, escolhida por elas próprias, por milhões de anos, vem se acasalando em um voo nupcial, com os zangões mais cheios de vida, que moram em várias colméias num raio de quilômetros; há uma disputa entre muitos, mas poucos conseguem alcançá-la.

Nos laboratórios, como é feito? Uma futura rainha escolhida pelo homem, que nem foi testada se sabe voar, é acasalada artificialmente com um zangão que está à mão na colméia, e este é naturalmente o menos indicado por já ter passado da idade, por ser jovem demais, ou doente; pois os zangões com potencial estão no ar à procura de princesas e este que se encontra na colméia quem garante que seria atraído nauralmente por ela? Segundo: o problema não para aí, estas abelhas por gerações assim enfraquecidas, para as quais precisam dar antibióticos e vitaminas (nos países citados), estão começando a sofrer do mesmo transtorno que atinge as baleias, ou seja: há uma inversão do hemisfério norte pelo sul nas suas mentes. É por isso que as baleias insistem em ir para a praia; com o hemisfério invertido elas nadam exatamente para o lado oposto de onde deveriam ir e seguem o instinto até morrer. É pelo mesmo motivo que se ensina aos mergulhadores de águas profundas: quando você ficar desorientado e lhe parecer que as bolhas de ar estão indo para o lado errado, siga as bolhas pela tua vida. E também se ensina aos pilotos: quando os instrumentos parecerem confusos e enguiçados, siga os instrumentos mesmo assim. E também se deveria ensinar ou se ensina aos que fazem caminhadas por trilhas de florestas: quando a bússola parecer estar sendo afetada por algum magnetismo estranho, siga-a mesmo que o instinto lhe diga estar indo para o lado errado.

O fato é que conheço outras pessoas, que já sabem disto: que ocorre esta inversão de polaridade na mente que leva os homens, as baleias e agora as abelhas a se perderem; já fiz e conheço outros que já fizeram viagens inteiras parecendo estar indo para o lado errado até que sem explicação volta ao normal; sei que o fenômeno está ligado ao espírito do instinto na mente, mas não sei como ele é desencadeado. E é preocupante, pois se as abelhas faltarem vai faltar grãos, há culturas al-tamente dependentes da polinização feita por elas, e está na hora de nossos apicultores brasileiros valorizarem mais as nossas saudáveis africanizadas, que certamente resistirão melhor que outras a esta nova fase de acomodação de espécies. Pois nossas abelhas bastante defensivas, muito pouco foram levadas a navegar contra a própria evolução, na vã tentativa humana de serem mais sábios que os programadores da evolução da vida.


Nivaldo Vitte Guion - apicultor