10 de julho de 2026
Política

Rodrigo enfrenta resistência "em casa" para convênio


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Parte da base aliada do prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) não está assimilando bem a saída encontrada pelo Executivo para resolver a falta de médicos no Pronto-Socorro do Jardim Bela Vista. A proposta de convênio com uma entidade sem fins lucrativos que irá oferecer o serviço de plantões na unidade de urgência e emergência gerou uma insatisfação doméstica que foi debatida durante reunião que avançou até as 23h de anteontem.

O encontro que reuniu PMDB, PT, PR, PCdoB e PSB deveria ter abordado diversos temas, porém a crise na saúde tomou todo o debate. O projeto de lei que autoriza o município a firmar convênio com a Fundação UNI, de Botucatu, que vai oferecer médicos para o PS da Bela Vista, foi o tema central da reunião. Dentro da base aliada, muitos são contra a medida.

O vereador petista Roque Ferreira, por exemplo, deu seu voto em separado na Comissão de Justiça, Redação e Legislação da Câmara, pela ilegalidade da proposta. De acordo com a vice-prefeita Estela Almagro (PT), a mobilização da cidade em torno do tema não deve ser desprezada. "A movimentação das entidades e setores organizados da sociedade é algo crescente e deve ser considerado, não pela movimentação em si, mas pela pauta que traz", observa.

Ela ponderou que durante a reunião o prefeito e o secretário municipal de Saúde, Fernando Monti, puderam levar a questão de maneira mais clara aos partidos da base. "Agora, as pessoas querem mergulhar nisso, construir e trazer uma agenda política em torno desse assunto, mostrar que essa é a nossa opinião em torno desse processo", enfatiza.

Assimilar essa terceirização do serviço traria um desconforto entre alguns partidos da base aliada, que em campanha se comprometeram junto de Rodrigo a manter a característica pública do serviço municipal. "Não vamos passar a acreditar que a terceirização de serviços essenciais seja a saída. E não é só uma questão ideológica, mas também de entendimento de saída técnica. Temos uma compreensão sobre saúde, educação, água e esgoto. Temos uma visão e, não só isso, compromissos", pontua.

Por isso, ela pondera que a reunião foi necessária para amadurecer o debate. "Queremos debater esse assunto e por isso tomamos a iniciativa de chamar o prefeito e o secretário. Não queremos só opor, mas também propor. Vamos amadurecer isso. Ainda que a gente permita um debate aberto o suficiente para que nos convençam, queremos garantir que o debate seja de fato aberto o suficiente para que possam ser convencidos e que a gente possa encontrar uma saída", define.


Urgência


No entanto, o prefeito pondera que garantir o atendimento da população é a prioridade urgente. "Eu preciso de maneira muito rápida estancar um processo que tenho hoje, que é a falta de médico. O concurso público demora para ser realizado. E devemos abrir concursos públicos para quase 10 especialidades médicas. Mas contratar esses profissionais leva tempo e a gente decidiu, foi uma decisão de governo, pela contratação de uma entidade que pudesse suprir essa falta de médico", explica.

Ele admite que a decisão não é consenso entre os partidos que formam a sua base aliada. "Dentro do grupo existem lideranças partidárias contrárias, que entendem que isso é um processo de terceirização e não deveria ser dessa forma. Eu respeito, mas é uma decisão para garantir a existência de médicos. Mesmo assim, me disponho a discutir com eles uma série de propostas, de iniciativas. Toda e qualquer sugestão para a melhoria da saúde, aceito discutir sem problema nenhum", afirma.

O prefeito adianta que atendendo uma solicitação feita durante a reunião, irá convocar os 180 médicos ativos na rede municipal para verificar quais estariam dispostos a atender no PS da Bela Vista. "Já fizemos uma ação nesse sentido, mas vamos repetir", informa.

Ele também relata que caso o projeto que autoriza o convênio não seja aprovado pelo Legislativo, o "plano B" é aguardar o resultado dos concursos públicos que ainda não foram iniciados. "Se o projeto não for aprovado, a alternativa é esperar seis meses e o Pronto-Socorro da Bela Vista acabe ficando fechado até que a gente possa fazer esses concursos. Não tem como manter um pronto-socorro sem médicos. Vou respeitar a decisão que os vereadores tomarem com mutia tranquilidade, mas não dá para manter um pronto-socorro aberto sem médico", reitera.