09 de julho de 2026
Regional

Pai consegue ser transferido para a mesma cela do filho

Lilian Grasiela
| Tempo de leitura: 3 min

Botucatu ? Após telefonar para a Polícia Militar (PM) pedindo para ser preso, arremessar o veículo contra uma viatura da corporação estacionada no pátio de um posto de combustível e agredir policiais, o comerciante Lauro Borges Pereira, 48 anos, conseguiu finalmente alcançar seu objetivo. Desde anteontem, por determinação do diretor da Cadeia Pública de Botucatu (100 quilômetros de Bauru), delegado Geraldo Franco Pires, ele está preso na mesma cela onde o filho, Wellington Borges Pereira, está detido desde o último dia 25.

O diretor conta que decidiu atender a vontade do pai para evitar mais confusões e garantir a segurança dentro da unidade. "Foi uma medida determinada por mim, e ela foi adotada dentro de um extremo bom-senso, porque a confusão que esse homem aprontou para ficar junto do filho, acho que ele criaria duas vezes mais se ficasse em uma cela separada", diz. "E nosso problema é que a confusão agora seria ?interna-corporis?, ou seja, dentro da cadeia onde estão os presos. E isso poderia trazer problemas de segurança".

O delegado ressalta que o desejo do pai em permanecer ao lado do filho na cadeia não foi motivado por qualquer tipo de suposta ameaça sofrida por Wellington dentro da unidade. De acordo com ele, o jovem não fez nenhuma reclamação nesse sentido à direção, aos carcereiros ou ao juiz de direito, que realiza visitas mensais ao presos. "O delegado, que sou eu, se reúne semanalmente com os presos e também não houve nenhum tipo de reclamação nesse sentido", garante.

"Essa medida foi tomada também justamente em razão de não termos nenhum tipo de denúncia, nenhum tipo de indício, de que toda essa atitude do pai tinha como condão liberar o filho através de um resgate ou alguma coisa assim. E também, com base na informação de que o filho nunca fez nenhum tipo de reclamação, ou seja, estava tudo em ordem. Para continuar em ordem, colocamos o pai junto com o filho como ele quis".

Segundo Pires, Lauro não teria demonstrado nenhum tipo de arrependimento em relação às diversas infrações que cometeu para ficar ao lado do filho. "Eu ainda não tive contato com ele no interior da cadeia. Mas, carcereiros que tiveram contato com ele não notaram nenhum tipo de alteração, remorso ou repulsa em nenhum momento", revela. Pai e filho deverão ficar presos até decisão da Justiça.

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Dia de fúria


A saga de Lauro Borges Pereira, 48 anos, para ficar ao lado do filho, Wellington Borges Pereira, no interior da Cadeia de Botucatu, teve início quando ele telefonou para a Polícia Militar (PM) e pediu para ser preso. Momentos depois, por volta da 1h49, sob o efeito de bebida alcoólica, ele arremessou a caminhonete que conduzia contra uma viatura da PM que estava estacionada no pátio de um posto de combustível, localizado na rua Cesário Motta, vila dos Lavradores.

O homem confessou aos policiais que a colisão havia sido proposital e disse que queria ser preso para ficar ao lado do filho, que está na cadeia da cidade desde o último dia 25, quando foi detido em flagrante por uma equipe do Grupo Especial de Patrulhamento Ostensivo com Motocicletas (Gepom) da Guarda Civil Municipal (GCM) e autuado por extorsão. Apesar de apresentar sinais de embriaguez, Lauro recusou-se a ser submetido ao teste do etilômetro (bafômetro). Preso em flagrante, ele foi levado ao plantão policial, onde um médico legista contatou que ele estava alcoolizado. Na unidade, bastante alterado, o homem ainda desacatou e agrediu policiais militares e civis e só foi contido após uso de força física. Segundo o delegado Marco Morés, titular do 2º Distrito Policial (DP) de Botucatu, ele vai responder por embriaguez ao volante, dano ao patrimônio público, lesão corporal e desacato e resistência.