09 de julho de 2026
Regional

Assessor que confirmou agressão é exonerado; prefeito nega retaliação

Lilian Grasiela
| Tempo de leitura: 2 min

Duartina ? O assessor administrativo da prefeitura de Duartina (38 quilômetros de Bauru), Hidequi Tanaca, foi exonerado do cargo em comissão que exercia no município. Ele diz que a exoneração foi provocada por depoimento que prestou na Delegacia Seccional de Bauru confirmando que o prefeito Aderaldo Pereira de Souza Junior (PP), o "Juninho Aderaldo", foi quem iniciou as agressões contra o jornaleiro Paulo Odair Inácio, 34 anos, no dia 24 de janeiro, dentro de seu gabinete. O prefeito nega a vesãode Tanaca e afirma que o fato foi coincidência e faz parte de uma série de cortes de despesas que visam fazer com que a cidade se adeque à Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).

Tanaca, que está na prefeitura há seis anos (desde 2005) e também exercia a função de chefe da fiscalização, acredita que sua saída foi uma retaliação do chefe do Executivo por ele não ter concordado em manter a mesma versão contada pelas demais testemunhas das agressões.

O ex-assessor reitera o depoimento prestado na seccional e afirma que o prefeito foi quem começou a agredir Paulo. "Houve pressão, inclusive de funcionários, para que eu desse outra versão. Mas eu falei que não, que não iria mentir. Eu sabia que ia acontecer isso", afirma.

De acordo com Tanaca, seu depoimento foi acompanhado pelo advogado da prefeitura. "Antes de iniciar o depoimento, já mandei constar que ia falar a verdade e que, por isso, corria o risco de ser demitido", revela. Mesmo perdendo o cargo, ele garante que não se arrepende da decisão e critica as outras testemunhas. "Eu estou com a consciência tranquila", diz.

Apesar de ser presidente do diretório do PSDB de Duartina, o ex-assessor garante que seu depoimento não teve nenhuma conotação política. "Nós somos do partido de apoio ao prefeito", pontua.


Corte de gastos


Juninho Aderaldo nega que a exoneração de Tanaca tenha sido uma retaliação em razão do depoimento prestado por ele. O prefeito diz que estava viajando na data em que o ex-assessor prestou depoimento e que desconhece o teor das declarações prestadas por ele na Seccional de Bauru.

De acordo com o prefeito, a exoneração de Tanaca faz parte de uma política de corte de gastos adotada pela administração para que o município possa se adequar à LRF. Ele explica que, nos anos de 2007, 2008 e 2009, o Tribunal de Contas do Estado (TCE) fez apontamentos recomendando ao Executivo que reduzisse os gastos com a folha de pagamento.

Segundo Juninho, a folha "estourou" quando a prefeitura teve que assumir os salários dos servidores de unidades de saúde, que antes eram vinculados às creches municipais. Hoje, as despesas com pagamento somam 52,93% do orçamento, quando o recomendado seria até 51,3%. Antes de optar pela exoneração de cargos em comissão, o prefeito diz que adotou outras medidas como redução do uso de energia e água, controle de combustível, redução do número de imóveis alugados.

Embora prefira não falar em datas, Juninho garante que outras exonerações ocorrerão "futuramente".