08 de julho de 2026
Turismo

Paracas


| Tempo de leitura: 3 min

O Peru mescla arqueologia e esportes de ação e se renova como opção de férias para os brasileiros. De Paracas a Lima, numa rota com cerca de 400 quilômetros, você surfa dunas no deserto, desce ondas no Pacífico, decola de bike nas montanhas, desliza de parapente entre as nuvens em plena capital, pega carona nos ventos de kitesurfe e ainda esbarra em sítios pré-hispânicos que revelam o surgimento, esplendor e declínio do império mais extenso já existente nas Américas.

Santuário natural da costa sul peruana, Paracas fica a quatro horas de carro de Lima. A paisagem é desoladora. Desértica. Arenosa.. Monocórdica. Pontilhada, vez ou outra, por humildes vilarejos. Um campesino cá, outro acolá tratam de lavrar para subsistência a terra ressequida, irrigada por sistemas artificiais.

Chove quase nada nestas bandas. Em meio ao delírio de areia e vento, a miragem do Double Tree Hilton ( doubletree.hilton.com; diária desde US$ 128), único resort da região situada no Estado de Ica e perto da cidade de Pisco, acolhe os viajantes mais privilegiados.

Famílias, casais em lua de mel, esportistas e aventureiros de bolso cheio hospedam-se ali em busca de privacidade, serviços exclusivos e infraestrutura de primeira. Sem luxo nem exageros.

Quem elege Paracas como refúgio de férias está atrás também de dunas perfeitas para o sandboard, das manobras de vento do kitesurfe, dos rolês de buggy pelo deserto, dos banhos de mar em frias águas protegidas e do que mais a natureza da região, patrimônio natural do país, facilitar.

Um passeio de reconhecimento pode ser feito a bordo de um veículo-gaiola nos moldes do filme "Mad Max".

Capacete e óculos de proteção contra rajadas de areia nos olhos são itens indispensáveis. Proteja também a boca e nariz com um lenço. Se você estabeleceu um paralelo com o Rali Dacar, chegou perto do que quero dizer.


Mergulho


Algumas horas depois de percorrer o sobe-e-desce das dunas, o viajante estará louco por um refresco. Eis que surge o inesperado: uma plantação de melancias. Seria surreal e você estaria a se perguntar sobre os efeitos alucinógenos da insolação no deserto, não fosse o fato de ser esse um sinal bem real da presença de lençóis freáticos.

Ou, dito em outras palavras, a boa notícia é que existem minioásis formados por reduzidas lagoas cercadas de alguma vegetação rasteira. Aí está o almejado refresco. Com a cuca fresca depois do mergulho fica bem mais fácil, ou menos difícil, encarar a subida ao todo de dunas de 30,40, 50 metros de altura. Objetivo: apreciar a vista e se lançar areal abaixo sobre uma prancha.

Fazê-lo de pé ou sentado, bem, daí é com cada um. E tudo bem se ao final de cada descida você se sentir feito um croquete. A lagoa está lá para ajudar a se recompor desse tratamento esfoliante. As águas que brotam nesse deserto peruano, chamado pelos locais de Califórnia, também servem aos campesinos para o pastoreio de cabras e ovelhas e a plantação de melões. Outra atividade popular em Paracas, o kitesurfe tem como aliada a ventania constante na região. O roteiro fica ainda mais completo com uma esticada às Linhas Nazca e ao Candelabro, um geoglifo com 120 metros gravado em rocha, também conhecido como Três Cruzes ou Tridente.

Para cumprir todo o itinerário bastam uns dez dias de viagem e um orçamento em torno de R$ 2 mil.


As linhas de Nazca


Desenhos de imensas dimensões compõem um inquietante e ainda hoje misterioso mosaico no deserto. Conhecidas por Linhas de Nazca, figuras de triângulos, trapezoides e representações de animai de hábitats tão distintos como baleia, aranha e macaco enfileiram-se rabiscadas para sempre na areia ao sul da reserva natural de Paracas, a três horas e meia de carro.

Fixadas por meio de técnica indefinida, que levanta polêmica entre estudiosos, os traçados representariam o modo de vida ancestral na região, habitada originalmente pelo povo nazca, sustentam uns.

Outros acreditam que seriam, isso sim, um elaborado calendário dedicado à agricultura, por meio do qual era possível conhecer o ciclo das chuvas e definir o que plantar.