São Paulo - Em um estudo divulgado ontem , o Banco Mundial disse que o Brasil está passando por um momento especial em seu perfil demográfico e que deveria aproveitar essa oportunidade para crescer.
Segundo o relatório "Envelhecendo em um Brasil mais velho", a população em idade de trabalho no país hoje supera o número de pessoas consideradas dependentes - idosos e crianças. Nas projeções do banco, essa característica poderá ter efeito benéfico de até 2,48 ponto percentual por ano no PIB per capita -s oma de bens e serviços produzidos no país, dividida pelo total de habitantes - nas próximas décadas.
Com uma parcela maior de pessoas no mercado de trabalho agora, a tendência é de que esse seja um período favorável para mais poupança e crescimento.
Depois de 2020, o crescimento da população será puxado pelo aumento no número de idosos.
Para que esta etapa se converta em uma herança de crescimento para as próximas décadas, o banco diz que o país precisa implementar rapidamente uma série de mudanças nas políticas públicas e se preparar para os efeitos sociais, econômicos e culturais do envelhecimento.
Ao contrário da experiência de outros países, o Brasil está ficando velho antes de ficar rico. Na França, a duplicação do percentual de idosos na população levou mais de 100 anos. No Brasil, o processo levará duas décadas.
Em 2050, o país chegará a uma proporção de 29,7% de idosos, patamar superior ao europeu e próximo do Japão.
"Com as políticas adequadas é possível envelhecer e se tornar desenvolvido ao mesmo tempo", afirmou o diretor do Banco Mundial para o Brasil, Makhtar Diop.
As mudanças necessárias envolvem aumento dos investimentos em educação, qualificação profissional e aumento da produtividade.
Previdência
Além disso, o estudo destaca a necessidade de adaptar o sistema de saúde e reformar o sistema previdenciário para torná-los mais eficientes e reduzir os estímulos à aposentadoria precoce.
Para o coordenador do estudo, Michele Gragnolati, este é um momento único, em que é preciso aproveitar a grande disponibilidade de mão de obra para promover o crescimento econômico. É também a hora de se pensar numa forma de reestruturar o sistema previdenciário do país.
O secretário-executivo do Ministério da Previdência Social, Carlos Eduardo Gabas, afirmou que a sociedade não comporta mais a aposentadoria aos 50 anos. "Com uma expectativa de vida de 80 anos, por exemplo, um trabalhador que se aposente aos 50 vai receber o benefício por um tempo superior ao de sua contribuição", disse.
Sem dar detalhes, afirmou que o Ministério está elaborando um estudo sobre o modelo previdenciário brasileiro. O estudo mostra que em 2050 o país gastará quase um quarto do PIB no pagamento de pensões e aposentadorias.
O Brasil tem dez anos para se preparar para os efeitos do envelhecimento de sua população, segundo estimativa do Banco Mundial. Relatório divulgado ontem pela instituição financeira internacional mostra que a população brasileira está envelhecendo rapidamente, mas que o país viverá, até 2020, um período chamado de bônus demográfico, quando a proporção entre o número de dependentes (crianças e idosos) e o número de pessoas em idade ativa alcança seu menor patamar. As informações são da Agência Brasil.
Para o coordenador do estudo, Michele Gragnolati, este é um momento único, em que é preciso aproveitar a grande disponibilidade de mão de obra para promover o crescimento econômico. É também a hora de se pensar numa forma de reestruturar o sistema previdenciário do país.
"A sociedade tem que achar maneiras para financiar o número de aposentados de maneira eficiente, sustentável, com incentivos que permitam poupança, investimento, crescimento e sustentabilidade??, disse.
Segundo o Banco Mundial, a expectativa é que, a partir de 2020, a proporção entre dependentes e pessoas em idade ativa volte crescer, com o aumento da proporção de idosos na população geral. Estima-se que a população com 65 anos ou mais, que ontem soma 20 milhões, chegue a 65 milhões.
De acordo com o Banco Mundial, para aproveitar o momento, é necessário, por exemplo, criar oportunidades de trabalho suficientes para a população em idade ativa e ter um mercado financeiro que transmita confiança às pessoas que queiram poupar para o futuro.