09 de julho de 2026
Política

Médicos afirmam garantir o trabalho

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 3 min

Representantes de usuários da rede municipal de saúde, médicos e vereadores se reuniram na noite de ontem, na Casa dos Conselhos, para debater a proposta elaborada pelos atendentes das unidades de urgência e emergência de Bauru. De acordo com o ofício entregue anteontem na Câmara Municipal, um grupo de 44 médicos se comprometeu a cumprir a escala de plantões extras, caso a prefeitura pague por plantão aquilo que iria desembolsar para a Fundação UNI. Os parlamentares solicitaram garantia de que a escala será cumprida.

Alguns membros do Conselho Gestor do Pronto-Socorro Central, os médicos João Sérgio Carneiro e Nilson Miranda, representante do Conselho Municipal de Saúde, e os vereadores Roque Ferreira (PT), Carlão do Gás (PR), Moisés Rossi (PPS) e Paulo Eduardo de Souza (PSB) participaram do encontro.

Miranda expôs que cada médico que atua no Pronto-Socorro Central chega a atender 90 pacientes em um único plantão de 12 horas. Para ele, ao oferecer um valor de R$ 680 pela jornada extra, a prefeitura não vai conseguir completar a escala. "A questão é clara, mercadológica. Como você quer contratar médico com um valor fora do mercado de trabalho", observou.

Ele ressaltou que outras cidades da região chegam a oferecer R$ 1,2 mil por plantão. Ele pontuou que uma vez que a prefeitura se dispôs a pagar esse valor pelo plantão aos médicos da Fundação UNI, poderia remunerar pelo mesmo valor os profissionais da casa. Carneiro concorda. "Jaú oferece plantão a R$ 1,1 mil, Itapuí, R$ 950,00. Com R$ 680, você não vai encontrar médico nenhum em Bauru", lamentou.

Carneiro ainda relata que a falta de vagas para internação em Unidades de Terapia Intensiva (UTI) nos hospitais da cidade ? que se agravou com a crise no Hospital de Base ? torna o trabalho ainda mais dramático. "Você se vê com três pacientes graves e apenas uma vaga na UTI. Ao final, você tem que escolher qual vai morrer e qual será atendido", relata.

Sobre o valor oferecido por plantão em Bauru, Caneiro observa que apesar das más condições de trabalho, a unidade ainda é uma das melhores na região, já que cada médico atua na sua especialidade. "Se colocar o valor de mercado, o médico deixa de ir para outras cidades", observa.

Roque Ferreira questionou junto aos médicos que garantiam dariam para a manutenção dos plantões. Carneiro observou que caso o valor estabelecido pelos médicos for aceito pela municipalidade, os profissionais entregariam as escalas extras completas para os atendimentos. O petista também questionou a posição deles, caso o Executivo não consiga oferecer o valor estipulado. Os médicos ressaltaram que teriam que conversar com os colegas, mas adiantaram que uma contra-proposta inferior não seria aceita facilmente.

Já Moisés Rossi criticou o fato de o secretário Fernando Monti e o prefeito não participarem da reunião. Carlão explicou que Monti não tinha sido oficialmente convidado para a discussão, mas encaminharia a ele os pontos debatidos. Rossi sugeriu que a prefeitura pagasse R$ 1,2 mil por plantão por um período até que fosse estudada adequações ao Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS) para a categoria.

Paulo Eduardo de Souza, que é médico, criticou a falta de politização da classe e observou que durante a elaboração do plano tentou se reunir com os médicos para discutir as mudanças. Porém, ele ressalta que poucos compareceram nas duas primeiras e na terceira tentativa, nenhum foi. Carneiro e Miranda avaliam que a categoria foi excluída do processo de elaboração do PCCS. Porém, defende que a saúde conceba um plano que funcione a médio e longo prazo, porém que resolva o problema imediato, que é a falta de médicos para os plantões.