08 de julho de 2026
Nacional

Assassino era tímido e viciado em Internet

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Rio - Estranho, introspectivo e viciado em internet. Assim era Wellington Menezes de Oliveira, 23 anos, segundo a descrição feita pelos vizinhos que o viram crescer numa casa humilde em Realengo.

Nem sua irmã adotiva Rosilane, com quem Oliveira viveu até o ano passado, o via de modo diferente. "Era muito estranho mesmo. (...) Não era de sair. Vivia no computador e não tinha amigos", disse à Rádio BandNews FM.

"Ele era altamente introspectivo. Fazíamos brincadeiras com ele, de que ele tinha uma lista de quem iria matar quando terminasse a 8.ª série", disse Thiago Costa da Cruz, que estudou com Oliveira da 5ª à 8ª série.

Desde outubro, ele vivia isolado em uma casa em Sepetiba (zona oeste). Mas, na segunda passada, foi visto caminhando pelas ruas próximas à Escola Municipal Tasso de Oliveira, em Realengo, onde ocorreu a tragédia. Ele foi aluno da escola de 1999 a 2002. Segundo moradores, ele estava vestido de preto e caminhava de cabeça baixa.

Oliveira foi adotado, ainda bebê, por Dicéa Menezes de Oliveira. Segundo Elma Pedrosa, vizinha e amiga de Rosilane, ele foi uma criança tímida e ficou ainda mais retraído com o passar do tempo. "Vivia no mundo dele. Não se relacionava com ninguém. Nunca soube que tenha tido namorada. Quando não estava trabalhando, ficava trancado no quarto, na frente do computador??, conta ela.


Troca de igrejas


Filho do primeiro marido de Dicéa, o rapaz foi adepto da igreja Testemunha de Jeová, frequentada pela família. Após a morte da mãe, porém, passou para outra igreja.

Em entrevista, a irmã disse que ele estava envolvido "com coisas do islamismo??.

A carta que levava no bolso quando foi matar os estudantes contém instruções sobre como seu corpo deveria ser preparado para o enterro. "Os impuros não poderão me tocar sem usar luvas, somente os castos ou os que perderam suas castidades após o casamento e não se envolveram em adultério poderão me tocar sem luvas.??

Oliveira estava desempregado desde agosto. Trabalhou por dois anos no almoxarifado da indústria de alimentos Rica, de onde foi demitido por falta de produtividade, segundo a empresa.

No trabalho, não fez amigos. "Fomos criados na mesma rua e trabalhamos na mesma empresa, e não sei dizer o que ele pensava", contou Fábio dos Santos, 27 anos.

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Muçulmanos no Brasil repudiam associação


São Paulo - O porta-voz da comunidade muçulmana e presidente da Comissão de Ética da União Nacional das Entidades Islâmicas do Brasil, Jihad Hassan Hammad, rechaçou ontem, em entrevista, a possibilidadade de associar o atirador que atacou inocentes em uma escola pública no Rio à religião. Ele disse ter sido feito um rastreamento e que não há nada sobre a relação de Wellington Menezes de Oliveira com o islamismo.

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Especialista cita bullying no passado como causa de violência hoje


Bretton Woods - Para o especialista em violência escolar Glenn Stutzky, da Universidade de Michigan State (EUA), fatos recentes podem desencadear atos de violência por parte de vítimas de bullying no passado no colégio.

"Quando as pessoas foram torturadas e não receberam ajuda, um acontecimento do dia a dia pode trazer de volta a memória de quando ela foi vítima??, diz.

O ato de violência pode ser, afirma o especialista, uma forma de manifestar o ocorrido no passado. "Para eles, é uma forma de dizer: "Vocês querem saber como me sinto? É assim que eu me sinto???, afirma Stutzky.

De acordo com ele, as estatísticas americanas apontam que dois terços dos casos de tiroteios em escolas provocados por alunos ou ex-estudantes envolveram vítimas de bullying.

Stutzky diz que nesses casos tudo deve ser visto como um detalhe importante nas investigações.

"Na cabeça dessas pessoas, elas acham que têm razão. Para nós, pode parecer absurdo, mas na cabeça delas faz todo sentido.??