Ao divulgar os números de uma safra que será recorde tanto em área (49,3 milhões de hectares) como em produção (157,4 milhões de toneladas), o ministro da Agricultura, Wagner Rossi, só tinha palavras de otimismo.
"No momento em que a demanda por alimentos é tão exacerbada no mundo todo, nada melhor que uma safra recorde, inclusive para o consumidor interno", disse Rossi, em entrevista coletiva. O sétimo levantamento da safra de grãos 2010/2011 da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) foi divulgado na manhã de hoje, em Brasília, trazendo dados praticamente consolidados sobre os resultados do setor para este ano agrícola.
"O resultado da safra é de grande nível de expressão", destacou Rossi, que logo após divulgar os números gerais da nova estimativa de safra partiu para reunião no Palácio do Planalto, convocada para discutir o Código Florestal. O ministro da Agricultura destacou que mesmo as fortes chuvas registradas durante o período de colheita em algumas regiões não conseguiram prejudicar as estimativas da Conab.
Os números são ainda melhores que os do sexto levantamento de safra, divulgado em março, quando o governo estimava plantio de 48,8 milhões de hectares e produção de 154,2 milhões de toneladas. Diante de números tão bons, Rossi destacou que estará na comitiva presidencial em visita à China, para negociar abertura de mercado, especialmente para as carnes brasileiras.
Diante de um cenário de preços elevados para as commodities agrícolas, o governo avalia que esta nova safra recorde ajudará a equilibrar valores no mercado interno, ao mesmo tempo em que aumentam as exportações de produtos agrícolas. "O que está acontecendo no mundo é um aumento de demanda muito forte, puxada por China e Índia", disse o secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Edilson Guimarães.
Segundo o secretário, nos últimos dez anos (entre as safras 2000/2001 e 2010/2011), o consumo mundial superou a produção em 72 milhões de toneladas, considerando arroz, milho, trigo e soja. "O mundo consumiu estoques. O patamar de preços subiu. Mas no Brasil não teremos problemas de preços com nenhum produto. Isso não vai pressionar a inflação", afirmou Guimarães.