Rio - Wellington Menezes de Oliveira fez mais de 60 disparos com um revólver calibre 38 contra os alunos da Escola Municipal Tasso da Silveira. Durante o ataque, anteontem, ele recarregou a arma nove vezes, diz a polícia.
O atirador portava ainda um revólver calibre 32 com o qual efetuou poucos disparos. De acordo com o delegado Felipe Ettore, da Divisão de Homicídios, foram encontradas 62 cápsulas do revólver 38 na escola.
O atirador tinha ainda seis acessórios usados para recarregar rapidamente o revólver conhecidos como "speedloaders". O revólver 32 que ficou preso à cintura foi usado só no início do ataque.
Conforme o policial, Oliveira entrou em duas salas de aula atirando a esmo.
O professor de geografia Luciano Pessanha, 35 anos, lecionava na sala seis do primeiro andar da escola, ao lado da sala quatro, quando ouviu o que pensou serem alunos chutando armários de ferro. "Até conheço barulho de arma. Mas dentro da escola, foi a última coisa que pensei em ouvir na vida", disse. Pessanha foi para a sala ao lado, onde viu Oliveira carregar as armas e se preparar para colocar o cinturão com as munições. "Dei de cara com ele. Estava muito tranquilo. Era uma coisa premeditada".
Correu de volta para sua sala para proteger os alunos. Fechou a porta e colocou o que pôde para bloquear a entrada. O atirador tentou entrar, mas não conseguiu.
Investigação
A polícia já pediu a quebra do sigilo telefônico de Oliveira e técnicos estão tentando recuperar o seu computador, encontrado queimado na casa dele em Sepetiba. No mercado ilegal do Rio, um revólver 38 é vendido por até R$ 450. Os carregadores custam R$ 8 na internet.
Rio - Quarenta e uma pessoas serão beneficiadas com córneas, ossos e tendões doados por famílias das vítimas do massacre de Realengo. O Banco de Olhos de Volta Redonda captou oito córneas, de quatro crianças, e o Banco de Tecidos do Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia captou ossos e tendões de uma menina - que serão aproveitados por 33 receptores. Nenhuma das vítimas teve morte encefálica - por isso não foi possível a doação de órgãos nobres, como coração, rins e fígado. Outras cinco famílias autorizaram a retirada de ossos, mas isso não foi possível porque o tempo pós-óbito não permitiu a análise de amostras sanguíneas das vítimas.
A família do menino Igor da Silva, de 13 anos, tinha a intenção de doar os órgãos da criança. Havia compatibilidade de tipo sanguíneo com o menino Patrick Hora, de 10 anos, mas Igor teve parada cardíaca, o que impede que os órgãos sejam aproveitados.
Secretária diz que escola ficará fechada por mais uma semana
São Paulo - A secretária municipal de Educação do Rio, Claudia Costin, anunciou ontem que a escola municipal Tasso da Silveira permanecerá fechada por pelo menos uma semana, enquanto professores e alunos receberão atendimento psicológico. Assistentes sociais e psicólogos da prefeitura irão visitar as casas dos alunos, enquanto professores e outros servidores serão atendidos no próprio colégio.
A Secretaria da Educação pretende realizar uma ação com alunos e seus pais, para pintar a escola, num ato simbólico de retomada de "um lugar sagrado que foi violentado".
A secretária visitou a escola com os ministros Fernando Haddad (Educação) e Luiz Sérgio Nóbrega (Relações Institucionais). Haddad afirmou que o massacre de anteontem foi um "evento único que não poderia ter sido evitado". O ministro e a secretária disseram que as escolas devem continuar abertas à comunidades.
"Na experiência mundial, a escola mais segura é justamente a escola aberta à comunidade, porque a comunidade se apropria da escola e não deixa eventos dessa natureza ocorrerem", disse o ministro.