08 de julho de 2026
Geral

Maus hábitos podem causar doenças

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 5 min

Estudos indicam que cerca de 90% de tudo o que fazemos no dia a dia é uma consequência dos hábitos que criamos ao longo da vida. São atividades que se faz automaticamente, sem pensar em como se está fazendo, porque, afinal, tornou-se um hábito.

No entanto, alguns deles podem ser altamente prejudiciais. Ficar horas a fio sentado no vaso sanitário lendo jornais, revistas ou mexendo em algum dispositivo eletrônico (celular, smartphone, e-reader, iPad, etc), por exemplo, não é uma boa atitude, do ponto de vista médico. Além de dificultar a circulação sanguínea nos membros inferiores, a posição pode provocar e agravar casos de hemorroidas.

A proctologista Maria Vanilde Sanches comenta que não se deve ficar sentado no vaso sanitário além do tempo necessário para evacuação. Segundo ela, o exagero pode causar congestionamento do sangue na região pélvica. Embora não seja considerado um problema, isso causa desconforto, especialmente para quem sofre de hemorroidas. Por esse motivo, segundo ela, quem tem o problema, dificilmente, vai ficar sentado no vaso por muito tempo.

Dar descarga com a tampa do vaso sanitário aberta pode ser uma fonte de disseminação de sujeira. Além disso, as gotículas que saltam fora do vaso, devido a pressão da água, podem estar contaminadas e isso expõe às doenças quem usa o banheiro.

Nessas condições, manter protegidas as escovas de dentes torna-se uma obrigação. Isso porque, insetos, como os mosquitos, por exemplo, podem passar pelo local sujo e contaminado e depois passar pela escova com as cerdas expostas.

Por esses motivos, a pediatra infectologista Renata Roledo Masotti Arcelis ressalta a importância de sempre manter a tampa do vaso sanitário fechada, assim como também devem ser mantidas em recipientes fechados as escovas de dentes ou pelo menos as cerdas.

Outro cuidado indispensável, segundo ela, é manter os ralos dos banheiros vedados. Isso ajuda a evitar a invasão dos mosquitos e a consequente disseminação da sujeira.

Renata chama a atenção também para o mau hábito presente em muitas casas de deixar a lixeira da cozinha destampada. Segundo ela, o problema é basicamente o mesmo da falta de cuidado no banheiro.

Como o lixo da cozinha é repleto de restos de alimento, isso atrai insetos como barata, moscas, além dos mosquitos. O ideal, de acordo com a infectologista, além de manter o lixo fechado, é descartá-lo pelo menos uma vez no dia.

Por esse motivo, não se deve ter na cozinha lixeiras grandes, que demoram mais para encher. O recomendado, segundo Renata, é comprar recipientes menores, que forçam os moradores a se desfazer do lixo com mais frequência.

Colocar detergente direto na esponja é outro hábito que precisa ser combatido, pois leva ao exagero e pode ser prejudicial à saúde. Isso porque o excesso de detergente acumulado na esponja acaba ficando nas panelas, pratos e talheres. E depois entram em contato com os alimentos e são digeridos pelos moradores.

Uma alternativa para evitar que isso ocorra é diluir oito gotas de detergente em um litro de água e mergulhar a esponja nessa mistura a cada louça lavada. É o suficiente para limpar sem exageros e com menos riscos.

Usar tábua de carne de madeira é outra prática comum que também deve ser abolida por ser um foco de disseminação de bactérias. Por seu caráter poroso, a madeira dificulta sua correta higienização. Portanto, a tábua tem que ser de plástico ou vidro, mais fáceis de lavar.

Soprar velinhas do bolo de aniversário é outro hábito que deveria ser evitado a todo custo. Testes comprovam que o bolo fica contaminado por bactérias ao receber toda carga de saliva presente nos assopros, geralmente, cheios de empolgação. Essas bactérias produzem uma toxina que podem provocar vômito e mal-estar.

Hábitos são costumes difíceis de serem mudados porque são resultados de anos de repetição. Para conseguir mudá-los, a regra número um é criar um ambiente que torne complicado sua prática.

Como ocorre, por exemplo, nas clínicas de reabilitação, onde o acesso do paciente aos hábitos antigos é bloqueado, ao mesmo tempo que cria possibilidade para a adoção de outros hábitos, mais saudáveis.


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Bom senso evita desperdício

Os maus hábitos não existem apenas dentro de casa. Fora das portas, eles também podem ser prejudiciais. Neste caso, não para quem pratica, mas para terceiros, como veículos com som alto, passear com animais e não recolher as fezes feitas por eles nos passeios públicos e deixar a água jorrando ininterruptamente enquanto se lava o carro ou a calçada.

Por mais que se façam campanhas e apelos para que essas práticas sejam banidas do dia a dia, os resultados não são muito animadores, para a revolta de uma parcela da população. Há quem sustente que, geralmente, quem ouve som alto tem péssimo gosto musical, o que acaba agravando a situação.

No caso das fezes espalhadas pelas calçadas, é como andar em terreno minado. É preciso estar atento o tempo todo para não levar para casa, para o trabalho, escola e outros locais fechados uma amostra do excremento alheio cravada na sola do calçado. À noite, então, a atenção tem de ser redobrada por causa da pouca iluminação das calçadas.

Por falar em calçadas, lavá-las usando a mangueira é um hábito comum e que traz grandes prejuízos. Segundo estimativa da Sabesp, em 15 minutos são perdidos 279 litros de água.

Estudos da Organização das Nações Unidas (ONU) mostram que cada pessoa necessita de cerca de 110 litros de água por dia para atender as necessidades de consumo e higiene. Gastar mais que isso é jogar dinheiro fora e desperdiçar recursos naturais, já escassos. A dica é adotar o hábito de usar a vassoura, e não a mangueira, para limpar a calçada e o quintal de casa.

Além da calçada, há também o costume de lavar carros com o uso da mangueira. E, geralmente, lavar carro demora mais que lavar calçada. Portanto, se não forem tomadas algumas medidas, como usar mangueiras com "revólver" na ponta, o desperdício é ainda maior.

Outra alternativa para reduzir o consumo é usar o balde. Nesse caso, de acordo com a Sabesp, o consumo é de apenas 40 litros de água.