São Paulo - Dois grupos rivalizam no vão do Masp (Museu de Arte de São Paulo), na avenida Paulista, na manhã de ontem.
De um lado, manifestantes gritam que "ser heterossexual não é ser radical". Eles saem em defesa do deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ), autor de polêmicas declarações sobre homossexuais e negros.
Outro grupo pede: "Fascistas, morram". Eles reagem ao protesto convocado pela internet para apoiar as palavras de Bolsonaro.
O grupo pró-Bolsonaro tem cerca de 40 pessoas (algumas mascaradas e de cabeça raspada) e, durante a manifestação, entoou algumas vezes o hino nacional. A certa altura, berravam: "Fora kit-gay".
Carregavam faixas em que pediam "fora, Battisti" (contra o ex-militante da extrema-esquerda italiano).
Outras bandeiras do grupo: "Pelo direito de educar nossos filhos" e "defendendo a família". Iam de encontro às posições de Bolsonaro, abertamente contra demandas como casamento gay e adoção de filhos por homossexuais.
O grupo anti-Bolsonaro é mais numeroso: reúne em torno de 70 pessoas. "Racistas, fascistas, não passarão" é um dos gritos de guerra.
O clima entre o grupo espessou em vários momentos. De vez em quando, os gritos param e começa bate-boca entre manifestantes. Quase houve confronto, mas policiais impediram.
Os cerca de 100 policiais presentes na área não impedem episódios pontuais de violência. Um manifestante do "time Bolsonaro" foi hostilizado por estar próximo ao grupo contrário ao deputado. Ele tomou um tapa ao tentar fugir. Seu agressor estava mascarado.
Entre os pró-Bolsonaro, há apenas duas mulheres. Nenhum negro. Do outro lado, a divisão de gêneros é maior, embora haja pouca participação de negros.