09 de julho de 2026
Ciências

Medicina: o caminho sem retórica!


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A universidade foi formada a partir de grupos de professores e jovens que se organizavam nos reinos da Idade Média e incomodavam os poderosos. Os mais inteligentes perceberam que a sociedade poderia se beneficiar com as novas idéias se esses grupos se fixassem, mas exigiam que fossem livres: assim nasceu o princípio da autonomia universitária.

As universidades paulistas tem autonomia administrativa e financeira. A única interferência legal da sociedade refere-se à escolha do reitor pelo governador a partir de uma lista tríplice em um processo eleitoral peculiar a cada quatro anos. Financeiramente, as universidades paulistas recebem um percentual fixo mensal do ICMS. Os professores, os alunos e os funcionários compõem três categorias e se organizam em faculdades que podem oferecer um ou mais cursos de graduação e pós-graduação. Em cada faculdade, os professores de áreas afins se estruturam em departamentos.

Por exemplo, uma faculdade pode ter cinco departamentos. Cada departamento tem, no mínimo, 15 professores e um chefe o coordena por dois anos. A cada mês, representantes dos professores e alunos reúnem-se e decidem sobre seus problemas, recebendo o nome de Conselho Departamental. Uma vez por mês, o diretor, chefes de departamentos e representantes dos professores, alunos e funcionários se reúnem para decidir sobre os assuntos da faculdade no conjunto de pessoas que se chama Congregação, o órgão mais importante da faculdade e chefiado pelo diretor. Para ajudar o diretor, quatro grupos de professores formam as chamadas comissões para analisar assuntos específicos da graduação, pós-graduação, pesquisa e extensão-cultura.

Os diretores e um representante de cada faculdade se reúnem mensalmente com o reitor para discutir os problemas da universidade. Este conjunto de pessoas, junto com o reitor e representantes de alunos e funcionários, recebe o nome de Conselho Universitário, o principal órgão decisório da universidade, que é chefiado pelo reitor. Para ajudar o reitor, quatro pró-reitores são nomeados para cuidar da graduação, pós-graduação, pesquisa e extensão-cultura no contexto da universidade. Estes pró-reitores se reúnem mensalmente com representantes de cada faculdade para discutir os problemas de cada setor e são chamados de conselhos de graduação, pós-graduação, pesquisa e extensão. Os assuntos que chegam até o Conselho Universitário são os que não se conseguiu resolver em nível inferior.

Uma universidade pode ter inúmeras faculdades e ainda ser composta por museus e hospitais. Na universidade, qualquer pessoa que participa de um conselho departamental, de uma congregação ou do conselho universitário pode apresentar uma proposta que será analisada e, se aprovada, enviada para o nível mais elevado de decisão até chegar ao Conselho Universitário para uma decisão final.

Por exemplo, se alguém achar interessante que em Bauru se tenha um curso de graduação em medicina, pode apresentar esta proposta em um conselho departamental, que a encaminha à congregação da faculdade se aprovada. Também alguém da própria congregação pode apresentá-la diretamente. O diretor ou representante da faculdade também pode apresentar diretamente a proposta de criação do curso de medicina em Bauru ao Conselho Universitário para uma decisão final. Ou ainda, qualquer membro do Conselho Universitário pode apresentar a proposta diretamente, sem passar pelos níveis inferiores de decisão da universidade.

Uma alternativa bem interessante, e mais poderosa, seria o próprio reitor propor ao Conselho Universitário a criação da Faculdade de Medicina de Bauru. Para isso, alguém precisaria sugerir a ele, como, por exemplo, um deputado estadual, tal qual Pedro Tobias, um secretário de Estado ou o próprio governador Geraldo Alckmin. A universidade vai gastar mais dinheiro com a nova faculdade e vai precisar de uma fatia um pouco maior do ICMS em relação à que recebe atualmente e para isso a posição do governador é fundamental.

Este é o caminho mais curto para se criar a Faculdade de Medicina de Bauru. Fora dele, tudo parece exercício de retórica ou, como dizia os antigos, conversa para boi dormir ou apenas movimento para a torcida ver já que a saúde na cidade está uma catástrofe! Imaginem no Palácio dos Bandeirantes o governador conversando sobre a Faculdade de Medicina de Bauru com os reitores da USP e da Unesp. Na ciência do mundo político e do jogo do poder, manda quem pode e obedece quem tem juízo.


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Reconhecimento - O acesso rápido à informação no mundo científico é fundamental para que se saiba a evolução das pesquisas sobre um determinado assunto. Anos atrás, por iniciativa pioneira da Fapesp, criou-se a Scielo ou Scientific Electronic Library Online, que dá acesso livre ao conteúdo das 248 melhores revistas brasileiras com o apoio da Organização Mundial da Saúde (Bireme) e do CNPq. Este tipo de banco de informações é conhecido como portal. O laboratório Cybermetrics da Espanha classificou a Scielo em primeiro lugar entre os portais de todo o mundo com acesso aberto a todos os pesquisadores.

Pão de queijo - Há uma busca de padrão de qualidade e tecnologia do pão de queijo feito com polvilho azedo ou doce, visando o mercado internacional. Pesquisadores da Universidade Federal de Lavras, liderados por Patrícia Aparecida Pimenta Pereira, analisaram a viabilidade de utilizar-se o queijo de ricota no pão de queijo no lugar do queijo minas meia cura. Analisaram a densidade, espessura da crosta, expansão, cor, textura e sabor de pães de queijo feitos com percentuais diferentes: com 30% de queijo meia cura e 30, 40 e 50% de ricota. Conclusão: com ricota, o pão de queijo fica mais macio, menos gomoso, fácil de mastigar e a crosta mais fina, mas o sabor continua o mesmo.

Alberto Consolaro é professor titular da USP - Bauru. Escreve todas as segundas-feiras no JC. Email: consolaro@uol.com.br

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