11 de julho de 2026
Bairros

TV Unesp: divergências marcam os últimos depoimentos do caso

Bruna Dias
| Tempo de leitura: 2 min

Ontem pela manhã, a comissão designada para apurar possíveis irregularidades durante a antiga gestão da TV Digital da Unesp de Bauru ouviu, pela primeira vez e a portas fechadas para a imprensa, o ex-diretor da emissora, professor Antônio Carlos de Jesus. Na reunião anterior, em 22 de março deste ano, ele havia apresentado atestado médico e não deu sua versão a respeito da acusação a que responde desde setembro do ano passado.

Antônio Carlos foi apontado em sindicância como o responsável pela quebra, em outubro de 2009, do equipamento Maestro, responsável por ajustar o funcionamento do canal para o Sistema Brasileiro de TV Digital (SBTVD). O problema é que outro equipamento idêntico foi adquirido posteriormente, a um preço estimado de R$ 260,5 mil, sem que o seguro fosse acionado.

Nos depoimentos prestados ontem para justificar a compra em duplicidade, a principal divergência deu-se entre os argumentos apresentados pelo ex-diretor e pela técnica do Departamento de Importação da Reitoria da Universidade Estadual Paulista (Unesp), Lilian da Silva. Segundo o advogado Luiz Fernando Barcellos, procurador da assessoria jurídica da universidade em Bauru, a responsabilidade sobre a substituição do Maestro por um novo seria do Departamento de Importação, seção que realizou todos os trâmites para a aquisição do produto, que não é fabricado no Brasil. No entanto, a avaria constatada durante o transporte até a TV Unesp, como de praxe, deveria ter sido comunicada imediatamente, dentro do prazo previsto pelo seguro.

Barcelos revela que Lilian afirmou em depoimento que "não foi feito todo o apontamento em um primeiro momento para que o seguro pudesse ser acionado. Existe um prazo certo para isso e esse prazo de reclamação foi expirado". Em sua oportunidade de defesa, o ex-diretor justificou que comunicou o dano à reitoria no devido período.

As linhas de defesa e acusação serão analisadas e, dentro de 30 dias, a comissão deverá apresentar o relatório final sobre o processo administrativo disciplinar que tem Antônio Carlos como principal alvo de investigação.

Funciona ou não?

Um laudo preliminar emitido em 19 de agosto de 2009 por técnicos da fabricante do Maestro, a Grass Valley do Brasil, apontou que "a avaria decorrente do golpe mecânico comprometeu toda a estrutura do equipamento, impossibilitando seu funcionamento. Por esse motivo, estamos condenando o equipamento à perda total, uma vez que não pode ser corretamente montado e ligado impossibilitando a garantia de seu funcionamento pleno".

A atual diretora pró-tempore da TV Unesp, Ana Sílvia Lopes Davi Médola, solicitou, logo após sua posse, uma nova análise do Maestro avariado. O laudo, de 24 de novembro de 2010, concluiu que "o equipamento não apresentou nenhuma avaria e se encontra em perfeito funcionamento, com características idênticas ao Maestro que foi importado para sua substituição. Desta forma poderia ter sido evitado o gasto de U$S 102.263,40".