O relatório mostra ainda que, no período, houve uma redução de 29,7% nos óbitos de crianças menores de 5 anos. Em 2000, foram registrados 24,7 óbitos por mil nascidos vivos e, em 2008, essa taxa declinou para 17,4 óbitos.
Contudo, para se adequar às metas do documento Um Mundo para as Crianças, assinado pelo Brasil em 2002, na Assembleia Geral das Nações Unidas, a redução de ambas as taxas de mortalidade teriam de chegar a 66%.
O documento reúne uma série de compromissos assumidos pelo governo federal, como a melhoria dos indicadores relacionados à infância e adolescência.
O relatório, apresentado ontem pela Abrinq, mostra que, de 1999 a 2008, o percentual de crianças alimentadas exclusivamente por leite materno até 6 meses de vida aumentou em 320%.
Sobre o ensino, o relatório aponta que 95% dos 27,5 milhões de crianças e adolescentes brasileiros têm acesso ao ensino fundamental. Esse percentual representa, aproximadamente, 26 milhões de crianças frequentando esta etapa da educação básica.
Com relação ao trabalho infantil, em 2001, havia 3 milhões de crianças e adolescentes de 5 a 15 anos ocupados. Em 2009, este número caiu para 2 milhões, resultando em uma redução de 33% do trabalho infantil no Brasil.
Sobre o combate ao HIV e à Aids, houve queda de 44% do número de novos casos de Aids em jovens de 15 a 24 anos, passando de 2.780 casos notificados em 2000, para 1.549 novos casos em 2008.
Em 2006, a Abrinq criou o Projeto Presidente Amigo da Criança, com o objetivo de acompanhar as políticas públicas implementadas pelo governo na área.
Segundo a administradora da fundação, Heloisa Oliveira, os avanços obtidos nos últimos oito anos devem ser comemorados, mas é preciso voltar os olhos para os desafios relacionados à qualidade da educação, ao aumento do acesso ao ensino infantil e à redução da mortalidade.
"Chama a atenção o percentual de crianças que tem aleitamento materno e a redução do HIV em populações jovens. Temos que comemorar a redução de crianças no trabalho infantil??.
Para Heloisa, é preciso aperfeiçoar o sistema de atenção à saúde da mulher gestante e dos recém-nascidos. "Muitas crianças, hoje, ainda morrem de afecções respiratórias, muito ligadas aos primeiros dias de vida", observou.
A administradora considera que é preciso investir na abertura de creches para que as mães possam trabalhar com tranquilidade enquanto as crianças estão bem cuidadas.