11 de julho de 2026
Internacional

Primeira viagem de astronauta faz 50 anos sob clima incerto

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Washington - Quando Yuri Gagárin decolou para a primeira viagem de um homem ao espaço, o futuro das missões espaciais tripuladas era incerto. Exatos 50 anos depois, a situação não está muito diferente. A Nasa, que tem o maior orçamento para esse fim no planeta, está muito perto de ficar sem veículos próprios para mandar seus astronautas para o espaço.

A grande aposta da agência espacial americana nos últimos 30 anos, os ônibus espaciais, em breve virarão, literalmente, peça de museu. A previsão é que a frota seja aposentada ainda este ano.

A segurança dessas naves foi colocada em xeque após uma série de falhas recentes e dois acidentes fatais - com a Challenger, em 1986, e com o Columbia, em 2003, levando à morte de 14 astronautas. Com o orçamento reduzido e dificuldades técnicas para criar sua próxima geração de naves, a Nasa vai aposentar os "shuttles?? ainda sem ter um substituto.

No discurso oficial, a agência diz que pretende confiar o transporte dos astronautas à iniciativa privada. Isso, no entanto, ainda não tem data para sair do papel. Na prática, porém, os americanos ficarão totalmente dependentes da nave russa Soyuz para levar seus astronautas à ISS (Estação Espacial Internacional).

E os russos, claro, já estão se aproveitando da situação. O preço da "carona?? por astronauta, inicialmente combinado em US$ 56 milhões (aproximadamente R$ 90 milhões) acaba de ser reajustado para US$ 63 milhões (R$ 100 milhões).

O administrador da Nasa, Charles Bolden, já sentiu o tamanho do problema. A nave russa, aliás, é uma espécie de táxi galáctico. Foi nela que, em 2001, decolou o primeiro turista espacial, o bilionário californiano Dennis Tito, além de Marcos Pontes, o primeiro e até agora único astronauta brasileiro.

Apesar de ser o veículo espacial mais confiável atualmente em operação, a maior parte da concepção da Soyuz ainda se baseia em um projeto do fim dos anos 1960. Com o colapso da União Soviética em 1991, o orçamento e o grau de prioridade do programa espacial foram reduzidos substancialmente.

O primeiro-ministro do país, Vladimir Putin, aproveitou as comemorações dos 50 anos do voo para anunciar uma ampliação do programa espacial russo.

Mas se para EUA e Rússia o programa espacial não tem mais a mesma importância da Guerra Fria, o interesse cresce nos emergentes. Em 2003, a China tornou-se o terceiro país a levar um homem ao espaço usando meios próprios. O taikonauta -como é chamado o astronauta chinês- Yang Liwei passou 21 horas na órbita da Terra. O país planeja levar um chinês à Lua até 2020. Também na Ásia, a Índia tem anunciado planos de exploração espacial tripulada.