A Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) terá que fazer análises do lençol freático sob o aterro municipal a cada três meses. A medida faz parte do acordo firmado entre a prefeitura e a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) para o encerramento das atividades do espaço na cidade, previsto para daqui a 3 anos. A última análise teve o resultado divulgado ontem e não constatou contaminação no lençol freático.
De acordo com Flávia Souza, gerente de resíduos sólidos da Emdurb, na documentação que definiu o prazo para o encerramento do aterro a Cetesb determinou que a checagem passe a ser trimestral. Atualmente, ela é feita a cada seis meses. Como o contrato com o laboratório responsável pelo serviço terminou, a Emdurb terá que licitar nova empresa para a coleta e análise da água sob o aterro.
Em 19 de novembro de 2009, quando a Emdurb ainda era presidida por Rubito Ribeiro, que também foi assessor de gabinete do prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB), a empresa municipal realizou coletas da água dos poços de monitoramento do aterro e encaminhou o conteúdo para análise junto ao laboratório da USP, em São Carlos.
No final de dezembro daquele ano, o estudo apresentou que estas amostras coletadas pela própria Emdurb continham níveis de chumbo até 40 vezes acima do normal. Em janeiro de 2010, Nico Mondelli foi escalado pelo prefeito para o lugar de Rubito e tomou conhecimento do laudo. Porém, o resultado só foi revelado em março, ainda assim através de apuração levantada pelo Jornal da Cidade. A empresa jamais disponibilizou o laudo controverso. Nos bastidores, a suspeita que ficou é de que a coleta pode ter sido prejudicada. Ou seja, a universidade analisou o que foi levada até ela, mas alguém retirou o material dos pontos de coleta e ninguém soube informar, até então, sob quais condições e interesses.
Todos os monitoramentos feitos depois desse episódio foram realizados por laboratório credenciado pela Cetesb e que faz todo o processo, da coleta à análise, apontaram que o lençol do aterro não possui contaminação por chumbo. Flávia pondera que como o parte do processo era feito pela própria Emdurb, pode ter acontecido algum problema na coleta, transporte ou no frasco que recebeu as amostras. "Foi algum erro que ocorreu, que agora não temos como saber o que aconteceu", observa.