Continuando o assunto da semana passada, vamos nos atentar para mais dicas que os pneus podem nos transmitir quanto a possíveis problemas de alinhamento e balanceamento em nossos carros.
Os pneus se desgastam pelo atrito com o solo, que pode ser asfalto, terra, pedra, areia, neve, lama ou o que mais aparecer pela frente e este desgaste deve ser o mais regular e homogêneo possível, denotando que o carro está bem alinhado e balanceado. Se não estiver em ordem, aparecerão marcas que demonstrarão os principais causadores do desgaste irregular. Por exemplo, se o desgaste aparecer em ondas diagonais, com escamas na banda de rodagem ou apresentar um desgaste excessivo em uma das laterais da banda de rodagem, é sinal claro de desalinhamento.
O fato de a direção puxar mais para um dos lados não quer necessariamente indicar que o carro está desalinhado. Verifique antes a pressão dos pneus, que deve ser igual nas rodas de um mesmo eixo. Cheque também os amortecedores se não estão vencidos ou vazando. Estes problemas também podem levar a direção a puxar para um lado e não são unicamente devidos a desalinhamento.
O fato de subir em guias e calçadas pode tanto danificar os pneus quanto provocar desalinhamento das rodas. O mesmo se dá em passar muito rápido sobre buracos e lombadas, pois as rodas foram projetadas para girar e não dar trancos. Toda a suspensão sofre com isso. Já roçar os pneus em guias ao estacionar também pode danificar a lateral do pneu, que é a parte mais frágil da carcaça, pois é a mais flexionada. Pode ocorrer um desprendimento das camadas internas do pneu e o surgimento de bolhas. Aliás, estas bolhas são perigosíssimas e podem inviabilizar um pneu, condenando-o. Elas também podem ocasionar desbalanceamento, mas o recomendado é substituir imediatamente o pneu com bolha e só então refazer o balanceamento.
Quando se freia em emergência, pisando muito forte no pedal e dando aquela "fritada" dos pneus no asfalto, o desgaste gerado poderá ocasionar um desbalanceamento. Se o pneu ainda não tiver atingido o limite de desgaste para troca, aquelas marquinhas transversais nos sulcos, identificados pelas letras TWI (Thread Wear Indicator ou indicador de desgaste da banda de rodagem), um simples balanceamento por pesos na roda resolverá o problema. Mas se o desgaste chegou ao limite, deve-se trocar o pneu.
O desbalanceamento também pode ser provocado pelo amassamento da roda, às vezes por dentro de forma a ficar escondido da vista e difícil de ser detectado. Neste caso, o ideal é sempre desmontar a roda e verificar visualmente todo o conjunto e depois fazer o balanceamento. Rodas de aço são mais fáceis de desamassar e empenam menos do que uma de liga leve. Estas últimas podem precisar de um alinhamento da própria roda, pois empenam com mais facilidade. Para tal, precisa primeiro desmontar o pneu da roda e proceder ao alinhamento da roda, para depois remontar o pneu e aí sim proceder ao balanceamento do conjunto.
A calibragem correta permite um rodar macio e seguro, além de prolongar a vida útil do pneu. Um motorista cuidadoso jamais detona seus pneus por falta ou excesso de pressão de ar. A pressão correta é definida pelo fabricante para cada modelo, eixo e situação de carga, portanto não existe essa de usar uma calibragem padrão como se vê em alguns postos, pois depende do peso do veículo, tipo e largura do pneu, distribuição de peso, dentre outros fatores. A pressão correta faz com que a banda de rodagem se assente completamente no solo, dando mais aderência e se desgastando por igual, enquanto um pneu murcho desgasta mais as laterais e um muito cheio desgasta o centro. Lembre-se de sempre calibrar os pneus ainda frios.
Pneus são itens de segurança e são eles que transmitem a potência do motor à pista, que apóiam o peso do carro e que o seguram nas curvas em alta velocidade. Garantem estabilidade em retas e curvas e seu desgaste pode nos informar sobre vários problemas que podem estar ocorrendo com a manutenção de nosso carro. Mantendo-a sempre em dia e de acordo com as especificações do fabricante, garantimos nossa segurança, conforto de rodagem e uma vida mais longa aos pneus, que não são baratos (os bons, pelo menos).