09 de julho de 2026
Internacional

Para França, Otan não cumpre seu papel


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Paris - O governo francês criticou com veemência ontem a ação da Otan, aliança militar ocidental da qual a França faz parte, no conflito na Líbia. Segundo o chanceler Alain Juppé, "não é aceitável que Misrata continue sendo bombardeada pelas tropas de Gaddafi".

Uma das raras cidades no oeste líbio em que os rebeldes mantêm posições, Misrata sofre há seis semanas cerco dos soldados do ditador Muammar Gaddafi, no poder desde 1969. A ONG Human Rights Watch estima que pelo menos 250 pessoas tenham morrido na cidade.

Desde que assumiu o comando da zona de exclusão aérea na Líbia, no final de março, a Otan é alvo da reprovação dos insurgentes por supostamente permitir que as forças do ditador líbio recuperem terreno. Mas é a primeira vez que as críticas vêm de dentro da aliança.

"A Otan tem de cumprir seu papel por completo. Eles queriam assumir a liderança da operação e nós aceitamos??, disse o chanceler francês em entrevista a rádio.

O ministro das Relações Exteriores do Reino Unido, William Hague, também pediu à Otan que intensifique os seus esforços na Líbia - mais tarde, porém, o governo britânico negou que as declarações de Hague fossem um endosso às críticas feitas pelo seu colega francês.

Comandantes da aliança rebateram as críticas e afirmaram que a intervenção militar não pode perder de vista o objetivo de proteger civis, explícito na resolução do Conselho de Segurança da ONU que deu aval às ações.

Segundo a Otan, bombardeios atingiram quatro tanques de Gaddafi perto de Zintan, ao sul da capital líbia, Trípoli, e destruíram um depósito de munição próximo a Sirte, terra natal do ditador.

Ontem, os insurgentes líbios disseram ter conseguido conter, em diferentes momentos, duas ofensivas das forças de Gaddafi em Misrata.

Havia relatos de intensos conflitos no centro e em estrada que leva ao porto, ainda controlado por rebeldes. Organizações internacionais afirmam que o cenário em Misrata, a terceira maior cidade líbia, é de crise humanitária, com falta de comida e medicamentos.

Segundo moradores, cerca de mil pessoas participaram de protesto no norte da cidade para expressar apoio aos rebeldes.

Na região do leste da Líbia ainda dominada pela insurgência, a artilharia de Gaddafi atacou a entrada oeste de Ajdabiyah, ponto de partida dos ataques de rebeldes na tentativa de retomar o porto petrolífero de Brega.