Com o final da vida útil do aterro sanitário de Bauru previsto para daqui três anos, a prefeitura corre atrás de uma alternativa para a disposição final dos resíduos sólidos da cidade. Para isso, o Executivo já iniciou o processo para anexar a área lateral ao aterro. Porém, ainda irá a estudo se o novo espaço receberá um aterro ou se será destinado a uma usina de processamento de lixo. Hoje, o prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) e representantes da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) visitarão, no Rio de Janeiro, as instalações da primeira usina deste tipo em operação no País.
Aacordo firmado entre a prefeitura e a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) determina o encerramento das atividades do aterro na cidade para daqui a 3 anos. Por isso, o município precisa resolver o mais rápido possível o que fazer com as cerca de 230 toneladas diárias de lixo produzidas na cidade.
De acordo com Flávia Souza, gerente de resíduos sólidos da Emdurb, o laudo sobre composição do solo da área lateral ao aterro já foi finalizado. "Constatou-se que a parte física do local está perfeita. O lençol freático se encontra em ponto profundo e permite escavações do terreno. As rochas impenetráveis também estão em distâncias profundas e permite um aterro mais profundo", informa.
Ela adianta que o próximo passo é a realização de um estudo topográfico da região e, em seguida, formalizar a aquisição da área. Segundo o prefeito, o terreno pertence ao Instituto Penal Agrícola (IPA) e a prefeitura irá iniciar as discussões para conseguir a gleba. Uma das alternativas é propor uma permuta de terreno com a instituição.
Com a área viabilizada, a prefeitura partirá para uma outra discussão que é definir qual será o modelo utilizado para a disposição final do resíduo. "Vamos verificar qual será a tecnologia que vamos usar. Se é um outro aterro, queima ou geração de energia", aponta a gerente.
O prefeito explica que é preciso estudar as possibilidade. "Devemos trabalhar com duas frentes. Uma é a ampliação do próprio aterro, ao lado. E também a ideia de uma usina de lixo, por isso vamos conhecer a primeira usina que entra em funcionamento no Brasil. Vários prefeitos estão indo conhecer. Amanhã (hoje) está agendado eu e o prefeito de Sorocaba", informa Rodrigo.
Ele aponta que a usina poderia gerar energia. "É uma usina de processamento de resíduos, transformação de lixo em energia. Mas não detemos a tecnologia disso. Então, nesse caso, teria que ser em regime de concessão. A empresa comercializaria energia a partir do lixo. Vamos analisar amanhã a usina e se a gente ver a viabilidade disso para a nossa cidade pela quantidade de lixo que Bauru ou região geram, a gente pode partir para a contratação da modelagem", observa.
No começo da administração Rodrigo Agostinho foi realizada uma audiência pública na Câmara para debater a questão do processamento de resíduos sólidos. Na sessão de segunda-feira, o vereador Moisés Rossi (PPS) voltou a cobrar que a prefeitura invista nesse tipo de destinação. "Naquele momento, não tinha viabilidade financeira. Agora que saiu a primeira usina, vamos ver os estudos técnicos para verificar se financeiramente compensa", afirma o prefeito.
Para Flávia, é possível resolver a questão antes do encerramento das atividades do aterro sanitário. "Tecnicamente é viável fazer em três anos. Mas é preciso que tudo tramite com agilidade. Se a gente conseguir demonstrar a necessidade, acho que teremos condições", observa.