08 de julho de 2026
Regional

Soldado da PM é preso acusado de extorsão

Lilian Grasiela
| Tempo de leitura: 2 min

Botucatu ? Um soldado da Polícia Militar (PM) de Botucatu (100 quilômetros de Bauru), que está na corporação há 17 anos, foi preso em flagrante, anteontem à noite, pelos próprios colegas de profissão, acusado de extorquir os familiares de um homem detido desde 2009 por tráfico de drogas em troca de um suposto depoimento à Justiça a favor do acusado. Com ele, foram apreendidos R$ 1,5 mil em dinheiro, que havia acabado de ser entregue a ele como parte do "negócio".

O comandante do 12º Batalhão de Polícia Militar do Interior (BPMI), tenente-coronel José Aparecido Godoy Siqueira, revela que tomou conhecimento das acusações contra o soldado Nivaldo Barbosa através do Judiciário. O acusado teria procurado os familiares do homem que prendeu em 2009 por tráfico, junto com outras cinco pessoas, pedindo o valor de R$ 150 mil para que depusesse a favor dele no dia do julgamento.

Orientada por advogados, a família gravou as conversas com o soldado, que abaixou o valor cobrado para R$ 100 mil e, depois para R$ 50 mil, aceitando até mesmo um veículo Astra na negociação, além de dinheiro, e entregou as imagens ao Ministério Público (MP). "Numa das audiências, o advogado de uma das partes apresentou o vídeo onde constava a tentativa de extorsão por parte do acusado para mudar seu depoimento", conta o comandante.

Assim que soube da denúncia, o tenente-coronel passou a monitorar os passos do policial. Anteontem, por volta das 21h, ele foi preso pela Força Tática em uma padaria na vila Carmelo, onde fazia "bico" como segurança, logo após receber R$ 1,5 mil em dinheiro de familiar do preso. "Nós fizemos um planejamento, fomos até o local onde se realizaria a transação entre o acusado e a parte interessada e, nessa ocasião, efetuamos a prisão em flagrante do acusado", conta.

O comandante ressalta que, até então, Barbosa tinha a ficha limpa dentro da corporação. Até seu julgamento, por questão de segurança, ele ficará detido no Presídio Militar Romão Gomes, na Capital. "É claro que isso aí nos chateia bastante, mas o importante é que a providência foi tomada de imediato. Ele foi imediatamente preso e será responsabilizado com todo o rigor da lei", pontua.

Além de uma eventual condenação pelo crime de extorsão, por parte da Justiça comum, o tenente-coronel destaca que o policial também responderá a processo administrativo conduzido pelo Conselho de Disciplina da PM.

"A Polícia Militar não tolera esse tipo de conduta. A política do comando-geral é a rigidez na apuração desses atos e a punibilidade também é bastante rígida e culmina, conforme o fato e as provas, com a expulsão ou demissão do policial", declara. "O objetivo da Polícia Militar é o saneamento, é a depuração total dos nossos policiais. Eles são treinados para trabalhar para a comunidade, proporcionar a segurança".