O líder do governo na Câmara dos Deputados, Cândido Vaccarezza (PT), está sendo acusado de dar calote em cabos eleitorais da região da Alta Paulista. O petista estaria devendo R$ 270 mil a um engenheiro com quem fez dobradinha em Marília, R$ 20 mil ao PT de Marília e R$ 60 mil a um empresário de Tupã, além de outras dívidas menores com outras pessoas da região. O deputado nega as acusações e vê "chantagem" no episódio.
Em todas as cidades em que há a denúncia de calote, a história é bastante parecida. O economista Walter Bonaldo Filho, definido pelas pessoas ouvidas pela reportagem como "organizador" da campanha do deputado para a região, contratou pessoas e serviços que depois não foram pagas. Bonaldo, segundo ele mesmo, é amigo pessoal de Vaccarezza há 17 anos e é filiado ao PMDB. Ele nega que tenha deixado dívidas e atribui as denúncias a briga interna do PT.
Em Marília, há duas denúncias de calote do deputado federal Candido Vaccarezza (PT). Segundo o diretório do PT da cidade, o deputado deve R$ 20 mil para pagamento de cabos eleitorais. Já o engenheiro José Menezes (PSL), que foi candidato a deputado estadual em dobradinha com o petista, diz ter ficado com prejuízo de R$ 270 mil.
Tanto o PT local quanto o engenheiro Zé Menezes admitem que, assim como ocorre em Tupã e em outras cidades, a escassez de documentos dificulta as coisas na hora de provar a dívida. Ambos usaram o mesmo argumento para justificar o acordo feito com Bonaldo e Vaccarezza. Tratava-se de um acordo com o líder do governo na Câmara.
O PT de Marília enviou ao diretório nacional e estadual do partido a notificação sobre a dívida de Vaccarezza com o diretório municipal. Edinho Silva, presidente estadual do PT, negou que tenha recebido a notificação.
O líder do governo na Câmara negou que tenha dado calote em dívidas de campanha na região da Alta Paulista. "Isso não é verdade", afirmou. Vaccarezza classificou as denúncias feitas contra ele como "chantagem". "Não vou aceitar nenhum tipo de chantagem", disse.
Vaccarezza confirmou ser amigo de Bonaldo, mas disse que o ex-secretário de Finanças de Tupã não trabalhou para ele na campanha.
"Ele não é do PT, nem era da coordenação da minha campanha. Ele me apoiou no lugar que ele foi secretário, que foi em Tupã", declarou o deputado. O deputado disse ainda que Thiago Sousa não trabalhou em sua campanha, mas que agora ele é seu assessor. Thiago foi citado como sendo um dos organizadores da campanha de Vaccarezza para a região e é sobrinho do vereador Antonio Alves de Souza, o Ribeirão (PP).