São Paulo - Um dia depois do governo anunciar medidas para frear a queda do dólar, aumentando o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) sobre empréstimos no exterior, o volume de saídas da moeda norte-americana do país superou o de entradas em US$ 3,65 milhões em 1º de abril.
A fuga fez com que, no mês, até a última sexta-feira, o saldo ficasse negativo em US$ 14 milhões.
De acordo com dados do Banco Central, desde dezembro de 2010 o fluxo cambial (saldo entre entradas e saídas) não fecha negativo em um mês.
Nos seis primeiros dias úteis de março, o saldo havia sido positivo em US$ 4,3 bilhões. Apesar de os números indicarem reversão na tendência em abril, economistas acham que é cedo para avaliar o efeito das medidas.
Para Sílvio Campos Neto, da consultoria Tendências, o mercado pode ter antecipado empréstimos e investimentos nos primeiros meses do ano, já prevendo as medidas que encareceriam a entrada de dólares no Brasil.
"O praóprio governo dizia que tomaria medidas e veio tomando aos poucos. No começo dos anúncios, o mercado aproveitou o espaço entre as medidas para antecipar o fluxo de curto prazo", disse.
Essa antecipação fez com que o saldo cambial batesse recordes no início do ano.
Até abril, o resultado acumulado já supera em 46% o registrado em 2010, e soma US$ 35,5 bilhões.
O aumento do IOF, anunciado no dia 29 de março, tinha como foco os empréstimos com prazo de até um ano e foi uma forma encontrada pelo governo de inibir o ingresso de dólares e tentar conter a desvalorização da moeda norte-americana.
Após essa data, o fluxo começou a apresentar resultados negativos. Na quarta passada, o governo estendeu a cobrança do imposto para empréstimos de até dois anos. Com a segunda medida, o saldo negativo foi de mais de US$ 400 milhões em cada um dos dois dias seguintes.
Além das medidas adotadas pelo governo, neste ano, o Banco Central já comprou US$ 29,15 bilhões para ajudar a segurar a cotação do dólar. Esse valor é integrado às reservas internacionais, que somavam US$ 322 bilhões anteontem.