11 de julho de 2026
Nacional

Novo vídeo de atirador indica que ataque teria sido planejado há 9 meses

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Rio - Novo vídeo, divulgado ontem pela polícia do Rio, indica que o atirador Wellington Menezes de Oliveira, 23 anos, que matou 12 crianças na escola Tasso da Silveira, em Realengo, na última quinta-feira, planejava o ataque pelo menos desde julho do ano passado.

A gravação foi achada em um HD (disco rígido) encontrado na casa do atirador, em Sepetiba (zona oeste). O HD estava intacto e tinha sido acessado pela última vez em julho último. Um outro HD foi queimado, e a polícia tenta recuperar os arquivos.

O vídeo dura 58 segundos. De barba rala e cabelo raspado, Wellington aparece sentado numa poltrona e lê um texto numa folha de papel. O ambiente é diferente daquele das imagens exibidas na terça pelo "Jornal Nacional". Ele parece estar dentro de casa. Não há ruídos externos.

"A maioria das pessoas me desrespeitam, acham que sou um idiota, se aproveitam de minha bondade, me julgam antecipadamente", afirma Wellington no vídeo.

"São falsas, desleais. Descobrirão quem eu sou da maneira mais radical, numa ação que farei pelos meus semelhantes, que são humilhados, agredidos, desrespeitados em vários locais, principalmente em escolas e colégios, pelo fato de serem diferentes, de não fazerem parte do grupo dos infiéis, dos desleais, dos falsos, dos corruptos, dos maus. São humilhados por serem bons", diz.

O vídeo parece ter sido gravado pelo próprio atirador, já que no final, ele faz um movimento como se fosse desligar o equipamento utilizado. "Tudo indica que ele usou uma câmera para gravar as imagens. Também estamos tentando recuperar outros dados do computador dele", disse o diretor-geral de Polícia Técnico-Científica, Sérgio da Costa Henriques.

Ainda de acordo com o especialista, não foi encontrada nenhuma prova que leve a indícios de ligação do atirador com grupos extremistas.


Alvos eram as meninas


Henriques acrescentou que as provas que já foram colhidas e os laudos cadavéricos mostram que os alvos do assassino eram realmente meninas. Na maioria dos casos, elas levaram tiros na cabeça e no tórax, ao contrário das vítimas masculinas, alvejadas em outras partes.

A polícia informou que o vídeo exibido pelo "Jornal Nacional" não faz parte do inquérito e que vai pedir à TV Globo a gravação e que questionará a emissora sobre como ela obteve o material.


Culto ecumênico


A missa de sétimo dia e o culto ecumênico em memória das 12 crianças mortas no massacre da Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, contou com a presença de familiares dos estudantes, diversos líderes religiosos, parentes de vítimas da violência e reuniu cerca de 2,5 mil pessoas, em frente ao colégio.

O sargento da Polícia Militar Márcio Alexandre Alves, que impediu a continuação da chacina ao ferir o atirador e ex-aluno da escola Wellington Menezes de Oliveira foi recebido aos gritos de herói. Ao final do ato ecumênico, os líderes religiosos retiraram os cartazes e faixas de solidariedade dos muros da escola. O objetivo é que no retorno às aulas, marcado para segunda-feira as crianças encontrem apenas a escola e não o cenário de uma chacina.

O arcebispo do Rio, d. Orani João Tempesta, disse que "é hora de seguir em frente".

Dois helicópteros da Polícia Civil jogaram pétalas de rosa durante as cerimônias.

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Pastor é autor de um texto


Rio - Um pastor adventista que mora na Bahia é autor de pelo menos um dos textos religiosos encontrados na casa de Wellington. Havia pelo menos três textos de caráter religioso na casa de Wellington. Os temas dos textos do pastor eram inferno, alma e espírito, e morte e ressurreição. Nenhum deles induz a ataques homicidas nem faz apologia à violência.

Além desses impressos, a polícia também recolheu textos escritos de próprio punho pelo atirador, nos quais ele tece considerações sobre religião e conceitos de bem e mal.