Leio no JC de hoje (13/4) que a maioria dos adultos e boa parcela dos adolescentes aprovam o toque de recolher na cidade de Bauru para se ter maior segurança, quer para a sociedade quer para os próprios juvenis, retirando-os temporariamente do convívio com traficantes e drogas. A Polícia Militar, que está de parabéns, quer tra-balhar nesse sentido, mas os tecnocratas dos direitos humanos não deixam.
O câncer é uma doença silenciosa, que per-mite-nos reconhecê-la somente quando o organismo está com o tumor maligno. Daí vem o diagnóstico médico: tem-se que fazer quimioterapia, radioterapia e outros tratamentos para que a doença não avance e morra o organismo. A quimioterapia e a radioterapia são tratamentos muito rigorosos e, às vezes, crueis para quem a ele se sujeita. O paciente pode escolher em se submeter ou não ao tratamento. Porém, se não o fizer sabe que morrerá, com certeza. Então, se submete a um tratamento que virá com enorme mal-estar, se definhando fisicamente e às vezes até entrando em depressão, contudo, isso é necessário para definhar o tumor maligno existente e muitos são curados. Esse tratamento é crucial e prioritário para o problema.
O câncer da sociedade, atualmente, são as drogas, que têm que ser visto com tratamento equivalente ao descrito acima, visando qual é a prioridade para nossos adolescentes, quer seja o direito de ir e vir ou o direito de ter uma bela vida pra frente ou até vir a morrer, com a vida que podem estar levando. Isso requer um tratamento rigoroso e não depende somente dos pais, que na atual conjuntura não detêm as rédeas com filhos indolentes, depende também e na atual realidade, principalmente das autoridades, para sairem ou adentrarem no vício do crack, da cocaína, da maconha, do cigarro e das bebidas alcoólicas.
Dessa forma, a medida pode ser inconstitucional de um lado e constitucional por outro, contudo, deve-se ater à prioridade que o assunto requer, visando o melhor para atingir o ob-jetivo desejado. Enquanto se discute o sexo dos anjos, nossa sociedade e as nossas crianças vão se definhando com a doença, arrancando-lhes o direito de ter uma infância e adolescência dignas, sobretudo sem o direito de "ir" para a escola e "vir" para a casa, com segurança.
Claro, nesse caso, como no caso do câncer, o paciente (adolescentes) não quer o tratamento, mas ele é imprescindível para que cheguem e se tornem adultos melhores, que certamente, ao seu tempo, irão agradecer por terem se submetido a esse tratamento, por ora rigoroso. Tecnocratas do direito e dos direitos humanos, a medida está nas suas mãos.
Aparecido Doniseti Francelin