10 de julho de 2026
Internacional

Aliados anti-Gadaffi têm grandes diferenças


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Jerusalém - O primeiro encontro do chamado Grupo de Contato sobre a Líbia -formado por aliados na intervenção contra Muammar Gaddafi - evidenciou ontem as diferenças entre os membros da coalizão.

Enquanto França e Reino Unido pedem que a Otan intensifique a ação militar, outros países da aliança militar ocidental alertam para os limites do mandato concedido pela resolução da ONU.

No encontro, realizado em Doha (Qatar), o ministro das Relações Exteriores alemão, Guido Westerwelle, disse ser contra abastecer os rebel
des com armas. "Buscamos uma solução política", afirmou.

O Grupo de Contato sobre a Líbia anunciou em reunião em Doha o fornecimento de ajuda financeira e apoio material aos rebeldes líbios, mas não mencionou de forma explícita o envio de armamentos no comunicado, embora o Reino Unido e a Itália tenham mostrado divergências quanto à questão.

Segundo o comunicado final da reunião de Doha, da qual participaram 20 países e organizações sob a presidência do Reino Unido e do Qatar, decidiu estabelecer "um mecanismo financeiro temporário" para ajudar o CNT, órgão político da rebelião.

O grupo declarou também que o Conselho Nacional de Transição (CNT) é o representante "legítimo" do povo líbio, e reiterou a necessidade de saída do ditador Muammar Gaddafi.

Esse mecanismo servirá para "dotar o CNT e a comunidade internacional de meios para administrar as ajudas e atender às necessidades urgentes" das regiões controladas pela rebelião no leste do país.

Nenhuma indicação foi dada sobre o valor do fundo e sobre os países que devem contribuir; mas a rebelião havia indicado antes da reunião esperar que os recursos congelados como parte das sanções contra o regime de Gaddafi fossem colocados à disposição.

O grupo de contato também decidiu fornecer ajuda à rebelião, incluindo "um apoio material" de acordo com as resoluções 1970 e 1973 da ONU (Organização das Nações Unidas).

O texto das medidas aprovadas pelo Conselho de Segurança da ONU determina um embargo à venda de armamentos ao país, como forma de impedir que Gaddafi compre novas armas do Exterior.

No entanto, houve divergência quanto à interpretação das medidas durante a reunião.

Ouvidos sobre o alcance desta decisão, os ministros britânico e italiano das Relações Exteriores, William Hague e Franco Frattini, mostraram posições diferentes.

Hague mencionou o fornecimento de meios de comunicação, mas Frattini considerou que "a resolução 1973 não impede o fornecimento de armas, de armas não ofensivas, de armas de autodefesa".

"Ou nós fornecemos a essas pessoas os meios para se defenderem, ou nos livramos da obrigação de defender a população da Líbia", acrescentou à imprensa.