09 de julho de 2026
Polícia

Universitárias temem agressão sexual

Da Redação
| Tempo de leitura: 6 min

Na definição do dicionário, "medo" é o estado afetivo suscitado pela consciência de perigo. Entretanto, muito além do que simples conceito, esse sentimento tem o poder de "manipular" até mesmo a rotina das pessoas. É o que está ocorrendo com alguns universitários de Bauru. Na Universidade de São Paulo (USP), o medo está nas imediações com vários depoimentos assustadores. Já na Universidade Estadual Paulista (Unesp), o perigo vem de dentro de um banheiro do próprio câmpus.

O temor já pode ser sentido na identificação das entrevistadas nesta reportagem. Todas preferiram preservar a identidade com receio de revelar algo que poderia servir de pistas para possíveis ações dos bandidos.

E por meio das conversas esse sentimento somente fica cada vez mais visível. Segundo uma graduanda de 21 anos do curso de fonoaudiologia da USP, com medo do horário em que voltariam para a casa, as alunas pediram o cancelamento de uma aula noturna anteontem. O mesmo teria ocorrido na noite de ontem, quando muitas deixaram de comparecer a um evento.

"Nossa preocupação é pelos recentes casos que estão sendo noticiados, principalmente de estupros. Mas, além disso, ouvimos muitos relatos assustadores de nossas colegas que acabam não chegando ao público", afirma.

Segundo ela, os casos são inúmeros e de vários tipos: vítima que foi prensada contra uma parede e bateu a cabeça, garota que somente não foi assaltada depois de reagir contra o bandido e outras que foram assediadas até mesmo durante o dia.

"Eu estava andando de dia na rua Albino Tâmara, que passa ao lado do câmpus. Um carro começou a me seguir e andar ao meu lado bem devagar. Encontrei uma senhora e pedi ajuda. Ele deu mais uma volta e somente depois desistiu", relata uma das alunas


De valor


De acordo com outras estudantes, a região é bastante visada pelos criminosos, uma vez que os cursos demandam utilização de equipamentos valiosos e que o "perfil" da USP em Bauru é mais feminino. "A maioria dos alunos dos dois cursos oferecidos, de odonto e de ?fono?, são mulheres. Isso atrai a atenção dos bandidos", acredita.

O estado de insegurança instalado faz até mesmo com que haja inversão de certos sentimentos. Anteontem, a Polícia Militar (PM) realizou a maior operação do ano em Bauru, com mais de 200 policiais (leia mais na página 9). Além do patrulhamento ostensivo, um dos principais objetivos era ampliar o sentimento de segurança.

"Nós vimos todas aquelas viaturas e o helicóptero da PM sobrevoando a cidade. Achamos que era algo grave ocorrendo. Ficou todo mundo com medo. Pelo que estamos vivendo, o que era para dar mais segurança passou mais medo", relata.

Segundo as jovens, todas com idades entre 20 e 22 anos, para tentar driblar possíveis ataques, elas próprias estão traçando várias estratégias. "Nós começamos a enviar e-mails para alertar os outros alunos e começamos a traçar medidas preventivas. Estamos andando somente em grupos e até mesmo quem tem carro passou a oferecer caronas às outras. Não dá para continuar vivendo assim", conclui.

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Segurança


Dentro do câmpus da USP, a segurança é feita por meio de vigilantes motorizados e também por câmeras de monitoramento. Nas portarias, a captação de imagens começou após o assalto ao Banco do Brasil dentro da universidade em dezembro último.

Segundo o chefe de segurança Wellington Coelho Aquino, como as ocorrências citadas são na parte externa do câmpus, os vigilantes dificilmente pode agir. Entretanto, as vítimas devem procurá-los para que eles entrem em contato com a polícia.

"Temos contato direto com a Base Sul da PM, que é a responsável pela área. Mesmo que o caso tenha ocorrido fora da USP, a vítima pode procurar nosso vigilante que ele está orientado a chamar a PM", explica, afirmando ainda que, afora o caso do assalto à agência bancária, os índices de criminalidade no câmpus são praticamente nulos.

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Meninas relatam medo do ?tarado da Unesp?


Se o problema na USP ocorre fora dos muros da universidade, o medo na Unesp vem de dentro. Mais especificamente de um dos banheiros do câmpus. A história está tão famosa entre os alunos que o caso já é popularmente conhecido como do "tarado da Faac (Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação)".

Uma das vítimas relata a ação. "Eu entrei e vi um vulto. Quando estava urinando, ouvi uma respiração ofegante. Olhei para cima e ele estava dentro do box ao lado, sobre a privada e olhando para mim. Eu me desesperei. Gritei e mesmo assim ele não fez nada", relata.

A jovem, de 21 anos, descreve o homem como um moço bem aparentado, de cabelos pretos e muito bem vestido. "Os próprios alunos estão achando que é uma brincadeira. Está faltando alguém ser estuprada para tomarem uma providência", desabafa a vítima.

Até mesmo os garotos já foram vítimas da ação e, segundo um deles, o problema é antigo. "Eu estava no banheiro quando ele entrou e passou a mão em mim. E ele age há vários anos. Não é algo recente". Segundo eles, o cenário da ação geralmente é o popular banheiro da sala 50.

Outra vítima também confirma a versão de que a situação não começou agora. "Quando eu cheguei na sala, estava chorando e tremendo. Contei para o professor e ele disse: ?de novo isso?. Estamos tendo que ir no banheiro em grupos para se precaver".

O próprio diretor da Faac, Roberto Deganutti, confirma o caso. Segundo ele, haverá hoje uma reunião com os seguranças para tentar coibir e identificar o suspeito. "Já aumentamos a segurança. Mas está difícil pegar essa pessoa. Estamos fazendo algumas tocaias. Precisamos também que, quando ocorrer fatos assim, a vítima registre a ocorrência. Não podemos agir somente sobre boatos", conclui.

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PM afirma que vai intensificar fiscalização


De acordo com o tenente Vitor Melo, comandante da Base Sul - responsável pela área onde fica a USP -, o patrulhamento sobre o local será intensificado. Entretanto, segundo ele, os números de criminalidade na região não são altos.

"Muitas das coisas que ocorrem não chegam até os policiais. As pessoas precisam registrar o boletim de ocorrência (BO) ou mesmo ligar na nossa base para que possamos verificar e saber do problema", aponta.

O tenente conta que, há cerca de quatro dias, duas meninas foram roubadas nas proximidades do câmpus, porém, ambas não quiseram registrar o fato. "A polícia age com base em dados estatísticos. Precisamos agir sobre isso. Muita gente sofre e não registra o fato. Com isso, não conseguimos montar nossos planejamentos".

Entretanto, após ser acionado pela reportagem, o tenente Vitor Melo garante que vai ampliar a fiscalização já existente na área.

Já em relação ao "tarado da Faac", o diretor Roberto Deganutti promete que, além de ampliar a vigilância interna, irá conversar com o comando do 4.º Batalhão de Polícia Militar do Interior (4.º BPM-I) para tentar identificar o suspeito. "Em breve, câmeras serão instaladas nas portarias. Mas isso não resolve o problema. Ele pode entrar sem carro para fazer isso. Precisamos identificá-lo".

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Tentativa de estupro


O bairro Jardim Brasil, na área onde está instalada a Universidade Sagrado Coração (USC), também teve dois casos recentes de ataques à jovens. Na última terça-feira, uma mulher de 23 anos acionou a PM após ter sofrido uma tentativa de estupro. O homem chegou a colocar a mão dentro de sua blusa, porém, felizmente, ela conseguiu fugir. No dia 1 deste mês, uma estudante de 21 anos foi atacada por um homem por volta das 22h30 após atravessar a passarela que liga o Jardim Brasil à Vila Engler sobre a Rondon. O suspeito, um homem branco, magro, de estatura mediana e cabelos curtos, empurrou a vítima e deitou-se sobre ela. Diante da reação dela, somente roubou seu celular e fugiu.