Doha - Um dos países que mais apoiam politicamente os rebeldes líbios, o Catar admitiu ontem estar fornecendo armas aos insurgentes para ajudar a derrubar o regime de Muammar Gaddafi. É a primeira confirmação oficial de ajuda externa a rebeldes.
A entrega de material a combatentes antirregime mostra que o apoio aéreo da cada vez mais dividida coalizão internacional não é suficiente para permitir avanços militares significativos deles.
Segundo fontes de Doha citadas pelo jornal "Guardian", o Catar entregou, provavelmente por navio, mísseis antitanque Milan, de fabricação francesa, às autoridades de Benghazi, "capital rebelde", situada a leste.
O presidente americano, Barack Obama, confirmou a informação em declarações à imprensa feitas ao lado do emir do Catar, xeque Hamad bin Khalifa al Thani, recebido ontem na Casa Branca.
"O Catar não somente vem apoiando diplomaticamente (os rebeldes líbios) como também militarmente. E nós somos muito gratos ao trabalho excepcional que os qataris vêm fazendo com outros membros da comunidade internacional", disse Obama.
O emir do Catar agradeceu o apoio americano ao "processo de democratização?? na Líbia, mas se absteve de citar a entrega de armas.
Um dos países diplomaticamente mais ativos do Oriente Médio, o pequeno e rico Catar foi um dos primeiros a reconhecer oficialmente o governo de Benghazi e está ajudando os rebeldes a exportar petróleo.
Críticos dizem que o Catar tem uma posição dúbia acerca das revoltas nos países árabes ao apoiar, de um lado, insurreições na Líbia, Tunísia e Egito e, do outro, ao enviar tropas para ajudar Bahrein a reprimir protestos.
A remessa de armas é uma das principais reivindicações dos rebeldes, que também pedem a intensificação dos ataques aliados, desde que a morte de civis seja evitada.
Há relatos de que bombardeios recentes da Otan - a aliança militar ocidental que ataca alvos governistas- mataram 23 não combatentes em Misrata.
As mortes de civis acirraram as divisões internas na Otan, órgão no qual apenas metade dos 28 membros estão envolvidos na Líbia.
O secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen, cobrou ontem dos chanceleres da aliança mais recursos para as operações pró-rebeldes.
"Para evitar vítimas civis, precisamos de equipamento muito sofisticado e, em especial, mais aviões de combate de alta precisão", disse.
Ramussen ecoava pedido de França e Reino Unido por mais envolvimento de EUA e Itália, entre outros países.