Botucatu ? A Polícia Militar de Botucatu (100 quilômetros de Bauru) apreendeu na noite de anteontem, no jardim Monte Mor, uma pistola calibre 9 milímetros, de fabricação israelense, com nove cartuchos intactos. A arma, de uso restrito no Brasil, teria sido dispensada por Rafael Pereira da Silva, 22 anos, assim que ele avistou a viatura. O jovem conseguiu fugir. Na terça-feira, ele foi vítima de extorsão, que resultou na prisão em flagrante de um policial militar.
Segundo a PM, por volta das 19h52, uma viatura em patrulhamento pela rua Hermes da Fonseca avistou Rafael, conhecido nos meios policiais como "Rafinha", caminhando pela via. Ao perceber a aproximação da polícia, ele entrou correndo em um estabelecimento de ensino e dispensou um objeto no terreno ao lado.
Os policiais, então, deram ordem de parada ao jovem, que obedeceu e seguiu em direção à viatura para ser revistado. Ao perceber que a PM havia localizado a pistola, o acusado saiu correndo.
Ele chegou a ser perseguido, mas os policiais não conseguiram alcançá-lo. Um deles, inclusive, caiu durante a tentativa de capturá-lo e acabou machucando o ombro. O policial foi socorrido no Hospital Sorocabana, onde foi medicado e liberado.
Segundo a PM, a arma, de uso exclusivo das Forças Armadas, bem como as munições e o carregador, foram apreendidos. Rafael irá responder pelo crime de porte ilegal de arma de fogo de uso restrito.
PM nega retaliação
O comandante do 12º Batalhão de Polícia Militar do Interior (BPMI), tenente-coronel José Aparecido Godoy Siqueira, negou que a abordagem a Rafael tenha sido uma retaliação da polícia em razão das denúncias feitas por ele, que levaram à prisão em flagrante, na noite da última terça-feira, do soldado Nivaldo Barbosa, acusado de extorsão.
O policial, que está na corporação há 17 anos, teria pedido R$ 150 mil em dinheiro a familiares de um homem preso em 2009, junto com outras seis pessoas, por tráfico de drogas. Em troca, ele iria depor à Justiça a favor do acusado. Durante as negociações, o valor cobrado baixou para R$ 50 mil e, depois, para um veículo Astra, além de quantia em dinheiro.
As conversas foram gravadas e entregues ao MP e ao comando da PM. Na terça-feira, uma equipe da Força Tática da PM deteve o soldado logo após ele receber R$ 1,5 mil em dinheiro de Rafael em uma padaria na vila Carmelo, onde ele fazia "bico" como segurança.
Por questão de segurança, o policial militar foi conduzido ao Presídio Militar Romão Gomes, na Capital, onde aguardará julgamento. No âmbito da corporação, ele corre o risco de ser expulso da PM.
"Na realidade, esse indivíduo (Rafael) é parente de um dos seis que estão presos por tráfico. Há uma suspeita também com relação a ele. E a polícia age na rua com abordagens focadas em pessoas que já têm passagens ou são suspeitos de envolvimento", explica o comandante.
"Independente de qualquer coisa, a gente têm que fazer a abordagem. Foi feita essa abordagem e ele estava portando ilegalmente uma arma, inclusive proibida no Brasil. A polícia não vai atrás dele porque ele fez uma acusação grave contra a qual tomamos imediata providência. Nós não apoiamos a atitude do acusado, do PM que praticou esse crime".