Depois de registrar recorde histórico e deixar os motoristas apreensivos, o preço do litro do álcool começou a cair em Bauru e já dá mostras de que, em breve, voltará a ser mais vantajoso do que a gasolina. Ontem, o produto passou a ser comercializado em alguns postos a R$ 1,97, depois de chegar a uma média de R$ 2,25, há duas semanas, e alcançar a marca de R$ 2,59 em um bairro da cidade, no início do mês.
Por outro lado, a gasolina, que ainda é vendida com uma variação de preço entre R$ 2,70 a R$ 2,79, poderá ser reajustada nos próximos dias, já que o preço de custo aos donos de postos de combustíveis teria aumentado mais uma vez nesta semana. A expectativa é de que o repasse da majoração ao consumidor não ultrapasse a próxima semana.
Já o preço do álcool estaria em decréscimo porque algumas usinas começaram a moer cana-de-açúcar e também em decorrência da guerra da concorrência. Conforme o JC apurou, a moagem teria sido iniciada apenas em pequenas usinas e praticamente todo o etanol disponível no mercado estaria sendo comprado por grandes companhias distribuidoras.
Com isso, os postos de combustíveis bandeirados - vinculados a estas companhias - voltaram a ter produto para suprir a demanda do consumidor e, por consequência, condições de baixar os preços. Mas o volume produzido ainda é insuficiente para abastecer também os chamados postos de bandeira branca ? que possuem liberdade para comprar de outros distribuidores. Como resultado, mesmo sem ter álcool nas bombas, estes estabelecimentos se viram forçados a também reduzir os preços, sob o risco de perder clientes.
"O preço do álcool começou a cair porque as usinas começaram a moer, mas ainda é difícil encontrar produto para comprar. E esse patamar de R$ 2,00 é difícil de ser mantido com o custo do álcool aos donos de postos, que ainda está em torno de R$ 1,80. Para trabalhar com margem mínima de lucro, não dá para vender por menos de R$ 2,10", afirma o empresário Edivaldo Tuschi.
Concorrência
Mas, para fazer frente à concorrência, os postos que ainda não conseguem comprar etanol em volume suficiente também estão baixando os preços, já que manter os valores praticados nas últimas semanas implicaria em um prejuízo maior, conforme explica o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo (Sincopetro) em Bauru, José Antônio Reghine. "Mesmo com esta margem de lucro mais espremida ainda, o dono do posto prefere vender porque o capital de giro empregado é menor, então o custo para a manutenção do estabelecimento também fica menor", avalia.
A tendência, porém, é de que os motoristas não paguem muito menos pelo álcool ao longo de 2011, mesmo no período de safra da cana-de-açúcar - que começará com atraso neste ano, em maio. No ano passado, por exemplo, o produto chegou a custar R$ 1,15, mas Tuschi adianta que "dificilmente os patamares voltarão a ser os mesmos".
Já o preço da gasolina, por sua vez, deverá continuar subindo nas próximas semanas, ao menos até o início definitivo da safra. O motivo é a necessidade de acrescentar à formulação do combustível 25% de álcool anidro, produto que - diferentemente do etanol - estaria em falta no mercado de maneira generalizada.
Com esta escassez, os donos de postos de combustíveis compraram, nesta semana, gasolina a R$ 2,54. Se consideramos a margem média de lucro de R$ 0,30 com que eles costumam trabalhar, o valor final ao consumidor poderá chegar a R$ 2,84 já na próxima semana. "Nesta semana, ainda estamos vendendo a R$ 2,79, mas não será possível segurar este preço por muitos dias, mais. O custo está subindo diariamente e ainda não há perspectivas de queda", aponta Tuschi.
Cálculo
Para concluir qual é a melhor escolha, é preciso dividir o preço do litro do álcool pelo valor da gasolina. Se o resultado for maior que 0,7, o consumidor deve optar pelo segundo combustível. Se for inferior, é melhor ficar com o álcool. Em Bauru, o valor deste cálculo voltou para 0,71, o que significa que, ainda que a vantagem esteja praticamente equiparada, para fazer uma pequena economia a recomendação ainda é continuar optando pela gasolina.