08 de julho de 2026
Geral

Domingo de Ramos abre Semana Santa

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 5 min

As celebrações para a festa mais importante do Catolicismo começam amanhã, marcando o início da Semana Santa. As tradicionais missas e procissões de Ramos serão realizadas em todas as paróquias de Bauru, relembrando a chegada de Jesus, em cima de um jumento, à Palestina, onde foi crucificado.

Segundo o padre Luiz Antonio Ricci, o domingo de Ramos representa a acolhida do povo a Jesus. "Nós levamos os ramos para casa para lembrar do momento em que recebemos e aceitamos o Cristo. Os ramos são abençoados na procissão e distribuídos a todos os presentes. Nessa data, também é revivida a Paixão, pois da mesma forma como foi acolhido, Jesus foi rejeitado pelo povo, que escolheu salvar o ladrão Barrabás diante de Pôncio Pilatos", explica.

No Santuário Diocesano do Sagrado Coração, as missas de Ramos estarão em sintonia com a preocupação ecológica da Campanha da Fraternidade 2011. Em ação ambiental, serão distribuídas aos fiéis 300 mudas cedidas pela Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma) com o objetivo de incentivar o plantio de árvores na cidade. O padre Enedir Gonçalves Moreira lembra também que os ramos abençoados para a celebração são podas de árvores, evitando a degradação da natureza.

As missas que vão refletir sobre os últimos dias da vida terrena de Jesus vão ser celebradas em todas as paróquias na segunda e na terça-feira santas. No entanto, todos os padres e agentes pastorais de Bauru vão se reunir na Catedral do Espírito Santo, às 20h da próxima quarta-feira, dia 20, para a Missa dos Santos Óleos. Toda a comunidade está convidada para cerimônia em que o bispo Dom Caetano Ferrari vai abençoar os óleos usados nos sacramentos do batismo, crisma e unção dos enfermos, além das ordenações sacerdotais e consagrações de igrejas. A ocasião marca também a renovação das promessas sacerdotais do clero. "É um momento de união da igreja. Os óleos abençoados serão utilizados durante todo o ano nas paróquias para a concretização dos sacramentos", ressalta o padre Luiz Antonio Ricci.

Já na quinta-feira santa, a missa popularmente chamada de Lava Pés revive a última ceia antes do sacrifício de Jesus e lembra a instituição do sacerdócio ordenado e da Eucaristia. "Durante todo o ano, revivemos o momento em que compartilhamos do corpo e do sangue de Cristo, que deu sua vida por amor para nos salvar", afirma Ricci.

Um dos momentos mais emblemáticos dessa celebração se dá quando o padre repete o ato de Jesus, que lavou os pés de seus 12 apóstolos na Última Ceia. "Com essa atitude Jesus nos deixou o ensinamento de que devemos servir ao próximo, sermos solidárias e praticarmos a caridade. Por isso, doze pessoas da comunidade são escolhidas para terem os pés lavados pelo padre. Esse ano, na Paróquia São Cristóvão, do qual sou pároco, escolhemos um catador de recicláveis, devido a importância de sua atividade para a preservação do meio ambiente", explica.

A missa da quinta-feira Santa termina em silêncio, já em decorrência da morte de Jesus Cristo da sexta-feira da Paixão. "Esse é o único dia em que não há missas. Os fieis passam a madrugada de quinta para sexta-feira em vigília até as 15h, quando há a celebração, seguida da procissão do Senhor morto, que costuma atrair muitos católicos, inclusive da zona rural", conta o padre Ricci.

Na noite de sábado, acontecem nas paróquias as missas que celebram a ressurreição de Jesus Cristo. "Eu considero a celebração mais bonita do ano, que costuma se estender um pouco mais devido ao número de leituras e salmos. É o fim do Trido Pascal, que tem início na quinta-feira Santa. Na paróquia São Cristóvão, celebramos ao final da missa com um lanche coletivo no salão, pois é o início da Páscoa, que dá sentido a toda nossa fé cristã", explica. No domingo, as missas são de celebração e muito festivas, também comemorando a ressurreição de Cristo.


Mudança de hábito


Algumas pessoas de mais idade procuram ainda preservar alguns dos costumes antigos, característicos da sexta-feira Santa. "Muitos deixavam de limpar a casa, lavar a louça, ligar a televisão e executar as tarefas do cotidiano. No entanto, nos últimos tempos, os hábitos mudaram para o outro extremo", aponta o padre Luiz Antonio Ricci.

Ele explica que, para a Igreja, não é preciso ser radical no comportamento. "Não é preciso ser extremista, mas devemos lembrar que a sexta-feira é um dia de recolhimento, em que temos que evitar exageros".

Ricci lembra, porém, que são preceitos da Igreja o jejum e a renúncia a carne vermelha na quarta-feira de Cinzas e na sexta-feira santa. "O jejum não significa parar de comer, mas moderar e abdicar de algumas coisas. Quanto à carne vermelha, muitos deixam de comer ao longo de toda a quaresma, mas a Igreja Católica fala apenas dessas duas datas", afirma.

____________________

Encenação revive Via Sacra no Vitória Régia


Ainda nas celebrações pela Semana Santa, pelo oitavo ano, a Paróquia Santa Luzia e a Congregação Missionária de Santo Inácio de Antioquia apresentam, na próxima terça-feira, dia 19, a encenação da Paixão de Cristo. O espetáculo vai acontecer no parque Vitória Régia, a partir das 20h, e cada ingresso poderá ser trocado por 1 quilo de alimento não perecível, com exceção de sal.

"Este momento será uma grande oportunidade, não só para a evangelização, mas também para que, através da arte, os bauruenses tenham a oportunidade de crescer e possamos fazer deste evento uma tradição que valorize cada vez mais nossa cidade", afirma o frei Alfredo Francisco de Souza, pároco da igreja.