São Paulo - A presidente Dilma Rousseff encerra hoje sua visita à China e deve chegar ao Brasil na próxima segunda-feira. No retorno, ela deve passar por Praga, a capital da República Tcheca, como fez na ida para Pequim, quando houve uma escala em Atenas, na Grécia. Antes de embarcar, porém, Dilma pretende visitar um dos mais belos cartões postais chineses - o Exército de Terracota, também chamado de Guerreiros de Xian.
O monumento reúne de mais de 8 mil homens e cavalos. Em tamanho natural, as peças foram confeccionadas em terracota (argila cozida no forno) e ficam próximas à cidade de Xian.
A viagem de Dilma à China foi a mais longa ao exterior que a presidente já fez. Ao completar a visita, terão sido seis dias de atividades. Na passagem por Praga, ela deverá se reunir com o primeiro-ministro tcheco, Petr Necas.
A exemplo da conversa com o primeiro-ministro grego, Georgius Papandreou, Dilma deve tratar de investimentos para a Copa do Mundo de 2014, os Jogos Olímpicos de 2016 e os biocombustíveis, além da crise na economia de parte da União Europeia.
Visita a ZTE
No penúltimo dia de sua viagem à China, a presidente Dilma Rousseff visitou o Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da ZTE, em Xian, a 1.200 quilômetros de Pequim. A empresa de telecomunicações vai investir US$ 200 milhões na construção de um parque industrial em Hortolândia (SP), o primeiro desse tipo fora da China. Para fechar o negócio, a companhia recebeu incentivos fiscais da prefeitura, comandada pelo PT.
"Todo mundo sabe que a China tem custos mais baratos e que o Brasil tem impostos altos e problemas no transporte", disse Hou Weigui, chairman e fundador da ZTE Corporation. "Mas o Brasil também tem uma demanda muito grande de alta tecnologia em informática e, fabricando no país, podemos dar respostas mais rápidas aos nossos clientes."
Para Eliandro Ávila, CEO da ZTE do Brasil, o Plano Nacional de Banda Larga, lançado pelo governo, foi fundamental para a decisão da empresa de se instalar no Brasil. "As patentes também serão brasileiras", garantiu Ávila.
O anúncio da ZTE ocorre na mesma semana em que a Huawei, sua concorrente, divulgou um aporte de US$ 350 milhões para a expansão dos negócios no Brasil. Além disso, o governo espera investimento de US$ 12 bilhões da Foxconn.
Combate à inflação
A presidente Dilma Rousseff reiterou ontem seu compromisso com o combate à inflação sem deixar de lado o crescimento econômico e a inclusão social.
Em discurso durante fórum econômico na cidade chinesa de Boao, Dilma também reclamou de medidas adotadas pelos países ricos que, de acordo com ela, vêm pressionando a inflação global e valorizando as moedas de países exportadores de commodities, como o Brasil.
"Eu gostaria de enfatizar que nós somos favoráveis ao controle da inflação e à estabilidade fiscal. Eu gostaria de destacar que, para nós, o controle da inflação e a estabilidade são fundamentais para a recuperação da economia mundial", afirmou a presidente.
"Mas isso tem que ter como objetivo criar condições para o crescimento econômico, para a inclusão social, sobretudo naqueles países onde parcelas enormes da população ainda vivem em situação de pobreza ou de pobreza extrema", defendeu.
A uma plateia que incluiu o primeiro-ministro espanhol, José Luiz Rodríguez Zapateiro, o presidente chinês, Hu Jintao, além de outros chefes de Estado e empresários, Dilma reclamou de medidas adotadas por países que afetam a economia dos emergentes.