08 de julho de 2026
Geral

Ladrões voltam a atacar em semáforos

Luiz Beltramin
| Tempo de leitura: 7 min

Em apenas dois dias, três pessoas foram vítimas de roubos ou furtos ao parar em semáforos de Bauru. O crime, que não é tão comum na cidade, já deixa motoristas em alerta. Apesar de recomendar cuidados para evitar a ação de criminosos nos cruzamentos, principalmente à noite, para a Polícia Militar, o número de casos na cidade, comparado a outros municípios com maior incidência, ainda não é volumoso.

Estatísticas à parte, a madrugada de ontem aumentou a contagem deste tipo de crime, com um assalto e um furto ocorridos neste contexto, respectivamente, em cruzamento da Vila Falcão e no encontro das avenidas Nações Unidas e Nuno de Assis, em frente ao Terminal Rodoviário.

Ambos os delitos aconteceram por volta das 2h, horário em que, mesmo os cruzamentos mais movimentados, já estão com volume de trânsito muito reduzido, seja de veículos ou pedestres.

O roubo, de acordo com registros policiais, foi praticado na esquina das ruas Nilo Peçanha e Bernardino de Campos, Vila Falcão. A vítima, uma mulher de 35 anos, que dirigia um automóvel Peugeot, foi surpreendida por um ladrão, supostamente armado, ao parar no semáforo.

Logo após obedecer ao sinal vermelho, ela foi abordada por um motoqueiro, a bordo de uma Honda CG, de cor azul.

O bandido, narrou a vítima, com uma das mãos embaixo da blusa, aparentando estar armado e sem sequer descer da motocicleta, ordenou para que a vítima passasse a bolsa. A mulher, intimidada, rapidamente obedeceu a ordem do criminoso, que imediatamente acelerou e fugiu, sem ser localizado ao menos até ontem à tarde. A pressa e ousadia do ladrão, entretanto, não lhe renderam dinheiro já que haviam apenas documentos pessoais da vítima, que registrou boletim de ocorrência no plantão permanente da Polícia Civil.

Já na confluência da Nações com a Nuno de Assis, o fato mais curioso da noite. Um motoristade um automóvel Peugeot, foi surpreendido por um ladrão que, simplesmente, entrou no carro, retirou o que viu pela frente e, em seguida, "desembarcou".

Cara de pau

O caso, também registrado no Plantão Policial, foi tipificado como furto. Um engenheiro de 28 anos dirigia o automóvel pela Nações Unidas, sentido centro-bairro. Logo depois que obedeceu ao sinal vermelho, um rapaz ? que chegou a ser identificado pela vítima ? embarcou no veículo sem autorização e retirou dois aparelhos celulares e R$ 58, em dinheiro. O acusado que, pelo narrado à polícia, seria conhecido da vítima, em seguida tomou uma corrida de moto-taxi em direção ao Jardim Nova Bauru. A mototaxista, de acordo com policiais militares, também reconheceu o rapaz, que, entretanto, não havia sido preso.

Mesma hora e local

Os crimes de ontem de madrugada, principalmente o roubo, são assemelham com o ocorrido na sexta-feira, quando uma mulher de 44 anos foi abordada por um marginal também no cruzamento da Nilo Peçanha com a Bernardino de Campos, nas proximidades, inclusive, de uma base da PM. Na ocasião, o bandido, também de moto, chegou a colocar a cabeça dentro do carro e retirar a bolsa da vítima, com documentos e R$ 100. O ladrão chegou a perguntar se a motorista estava armada, batendo no corpo da vítima, assustada com a agressividade do ladrão, que, assim como no assalto de ontem, não dava certeza de estar armado.

O caso mais grave ocorreu em fevereiro, quando um rapaz, a bordo de uma BMW, foi vítima de sequestro relâmpago ao obedecer ao sinal vermelho na avenida Getúlio Vargas. Três homens armados abordaram a vítima, que estava parada na esquina com a rua Amadeu Sangiovani. Na ocasião, a vítima escapou dos bandidos ao saltar do carro em movimento.

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Cuidados simples são capazes de fazer
a diferença, ressalta comando da PM

A quantidade de assaltos em cruzamentos em Bauru, ao menos em números, ainda não é de assustar, considera o coronel Nelson Garcia Filho, comandante do 4º do Batalhão da PM. No entanto, acoselha o oficial, existem algumas medidas simples que podem evitar a incidência de furtos e roubos.

De acordo com o coronel, a maioria dos crimes é cometida em locais isolados, ermos, com penumbra suficiente para ocultar os ladrões, que ainda se aproveitam da existência de árvores ou postes na espreita por vítimas em potencial. "A madrugada e locais ermos são os cenários perfeitos para esse tipo de crime que, aqui em Bauru, não é comum. Temos um ou outro caso", considera.

Entre as orientações (veja quadro), está a de evitar abrir os vidros do carro, principalmente no momento de obedecer ao sinal vermelho. Maior atenção deve ser dada, recomenda o policial, aos vidros do lado esquerdo, ainda mais se os assentos de passageiros estiverem desocupados, com objetos em cima. Trafegar pela faixa da esquerda nesses locais e momentos também é recomendado, por dificultar a aproximação criminosa.

Segundo ele, os bandidos se escoram em outras pessoas que fazem do semáforo ou meio de ganhar dinheiro, lícita ou ilicitamente. "Ladrões tiram proveito da permanência no semáforo vendedores e gente que faz malabares, mesmo sem mostrar qualquer talento para isso. Por isso sou totalmente contra atividades desse tipo nos semáforos, algo que incorre até em risco de atropelamento", acentua o comandante.

Intermitente

O uso de sinal amarelo intermitente nos cruzamentos após determinado horário, com o trânsito mais calmo, é realidade em algumas cidades palco de ações criminosas semelhantes. No entanto, ao menos em Bauru, de acordo com a Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb), não é a melhor alternativa para coibir os roubos ou furtos.

A intenção, com sinal amarelo ativo e piscante, é evitar com que o motorista pare, apenas diminuindo a velocidade nos cruzamentos. A parada ocorreria apenas para dar passagem a outro veículo que estivesse na mesma confluência. Conforme nota enviada anteontem pela Emdurb, a implantação do semáforo intermitente significaria riscos de acidentes. (LB)

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Para onde vamos?


Embora os comandantes das polícias Militar e Civil se dediquem na prevenção, solução dos crimes e encaminhem ao Ministério Público e Judiciário conteúdos comprovados que viabilizam as condenações dos marginais, os índices de criminalidade, especialmente aqueles que colocam em risco a integridade física e moral das vítimas, continuam preocupando. E o pior, cada vez mais, agora aparecem acrescidos de casos de abuso sexual, com outro dado importante, que é a reincidência dos réus - muitas vezes já condenados ou ainda respondendo por processos criminais. Mesmo nessa condição, parecem pouco se importar com as consequências de seus atos. Descaradamente, continuam desafiando a lei e a sociedade organizada, cometendo novos e ainda mais graves delitos.

Enquanto isso, os cidadãos de bem, que apenas querem viver com tranqüilidade e com segurança, seja em casa, no trabalho ou escola, sem sobressaltos, ou ainda exercer o sagrado direito de ir e vir pela cidade, a passeio ou trabalho, estão, infelizmente, cada vez mais condenados ao medo, como que reféns.

Diante desse cenário, é importante que as pessoas, portanto, tenham o máximo de acesso à informação, não para ficarem pânico, mas para que, cientes dos riscos a que estão expostas, possam se defender com atitudes preventivas, inclusive seguindo as recomendações da própria polícia.

Enquanto isso, é imperativo que a sociedade não deixe apenas para o setor público e dos representantes do Legislativo, Executivo e Judiciário a revisão dos modelos de segurança pública e exija a criação de mecanismos legais que, na prática, revertam esse comportamento que torna cada vez mais banal e crescente o uso da violência. É necessário que a indignação leve a ações organizadas e permanentes pelas nossas mais variadas instituições, incluindo clubes de serviços, ONGs, entidades de classe, associações, fundações, escolas e universidades, organizadas através de lideranças comunitárias, a exemplo dos Consegs. Esse é o caminho não apenas para estancar o crescimento do crime, mas especialmente para reverter esses números ao mais próximo de zero e no menor tempo possível. Votaremos ao assunto.