Para atrair indústrias e fazer prosperar os distritos industriais, os municípios precisam oferecer mais do que um terreno e isenção de impostos, como se fazia antigamente. Essa é a opinião do pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) Miguel Matteo.
"Se alguém acha que vai implantar um distrito industrial e com a doação de terrenos e isenção de impostos vai atrair empresas, eu digo, não vai. Eu fiz um estudo sobre distritos industriais na década de 80 em São Paulo. Os que tinham 100% de ocupação eram os que tinham menor número de incentivos fiscais, mas possuíam acesso rodoviário e outros itens que os empresários consideram importantes antes de instalar seus negócios em um local."
As exigências variam de acordo com a atividade e porte das indústrias. Algumas, preocupadas com os impactos sobre o meio ambiente, escolhem localidades que tratam o esgoto e preservam as riquezas naturais.
"Cada lugar vai ter uma coisa diferente. O município precisa saber qual a atividade econômica dele. Até onde ele pode interferir no movimento econômico. Tem que ter noção dos limites. Não adianta uma cidade com dois mil habitantes pretender atrair uma montadora de automóveis, a não ser que esteja localizada num distrito próximo a uma grande metrópole. É preciso pensar que essa indústria necessita de mão de obra qualificada."
Para o pesquisador, nem todas as cidades devem batalhar para atrair indústrias. "Tem que ver qual é o tipo de atividade econômica que se deseja. Não necessariamente precisa ter uma indústria. Em Brotas, por exemplo, eles utilizaram os recursos naturais e desenvolveram o turismo. Para eles foi melhor esse investimento. Há cidades que possuem atividades agropecuárias importantes. Outras, comércio, pode ser até um entreposto de abastecimento. Bauru nasceu como entroncamento rodoferroviário."
Matteo enfatiza que a indústria vai procurar antes de mais nada mão de obra qualificada e localização. Antes mesmo de receber a indústria, orienta o pesquisador, é preciso que o município se adapte por conta de investimentos que vão chegar independentemente da vontade dele. "A administração tem que saber o impacto desse investimento. Cada atividade econômica gera um produto chamado valor adicionado que somado ao que se arrecada de ICMS vai determinar a cota parte que o município irá receber. A administração tem que saber qual é o investimento que tem que ser feito." A ?receita? para atrair empresas para um DI ainda não existe, mas há fatores que podem ajudar. "O primeiro ponto é determinar a atividade econômica. Depois planejar os impactos que a chegada da indústria vai causar ao município. Investir em acesso, saúde, educação, infraestrutura e qualificação de mão de obra."