Rio - Em clima de emoção, 150 pessoas participaram de um mutirão para a pintura dos muros da Escola Municipal Tasso da Silveira, palco do massacre de 12 alunos em Realengo, na zona oeste do Rio. Pais, estudantes, professores, ex-alunos e funcionários fizeram o abraço simbólico do prédio.
"O objetivo é mostrar que esta escola forma pessoas boas e não assassinos", disse a ex-aluna Viviane Arruda, uma das organizadoras do evento.
Alguns estudantes que presenciaram o massacre foram pela primeira vez ao colégio depois da chacina. "Ele já dorme com a luz apagada, mas ainda não consegue fechar a porta do banheiro. Fiquei feliz quando ele decidiu que gostaria de vir ao mutirão", disse a vendedora Elizabete Gomes do Nascimento, de 32 anos, mãe do aluno Matheus Gomes do Nascimento, de 10, uma das crianças que presenciou a chacina.
As aulas recomeçam amanhã para o turno da tarde e na terça-feira para o turno da manhã cujos alunos presenciaram o ataque.
Buylling
O bullying sempre esteve presente na vida do assassino Wellington Menezes de Oliveira. Na opinião dos colegas da época em que estudava na escola, o isolamento social e os transtornos mentais não tratados o mergulharam em um turbilhão de fantasias vingativas que resultou na morte de 12 crianças indefesas executadas por Wellington no seu ex-colégio.
"Nada justifica o que ele fez, mas acho que a família e o colégio erraram. Ele falava sozinho, não descia para o recreio e nunca reagia às agressões. No entanto, não houve diagnóstico, apesar de a escola contar com uma turma para alunos especiais", opina o servidor público Eduardo Magalhães, colega de turma de Wellington em 1999 e 2000.
"As meninas encarnavam muito nele. Passavam a mão e o chamavam de veadinho. Os garotos amarravam o cadarço dele a mesa e um dia até o jogaram na lixeira", lembra o operário Rodrigo França, de 25 anos.
Diretora da Tasso da Silveira na época de Wellington, Marina Pereira de Carvalho lembra de Wellington. "Nós procuramos a família e eles informaram que o levaram a um psicólogo, mas o menino não quis continuar", afirma Marina.
No segundo grau, ele voltou a ser vítimas de gozações pela transformação visual, segundo Magalhães, que era seu vizinho em Realengo. De barba, sempre respondia às agressões verbais com a mesma frase: "cuidado, eu sou o homem bomba".
Corpo no IML
Rio - Mais de uma semana depois do ataque à escola municipal Tasso da Silveira, em Realengo, o corpo do atirador Wellington Menezes de Oliveira permanece no Instituto Médico Legal e pode ser enterrado como "corpo não reclamado", na próxima semana, segundo informou a Polícia Civil.
A família tem até quinta-feira para o enterro. Caso isso não ocorra, ele será sepultado pelo Estado. O ataque à escola ocorreu no último dia 7. Na ocasião, Wellington, ex-aluno da escola, entrou em duas salas de aula atirando. Doze crianças foram mortas e 12 ficaram feridas. Ele se matou.