11 de julho de 2026
Internacional

Milhares de mulheres vão às ruas no Iêmen pedir a saída de Saleh


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Sanaa - Milhares de mulheres iemenitas protestaram em Sanaa e em outras cidades, ontem, enfurecidas com as observações do presidente do Iêmen, Ali Abdullah Saleh, de que o Islã desaprova que mulheres participem ao lado dos homens nas manifestações que visam derrubá-lo do poder.

As mulheres, muitas em trajes islâmicos pretos com véu, disseram que seu papel nos protestos é religiosamente correto e pediram que o presidente renuncie, atendendo ao desejo popular expresso em quase três meses de manifestações.

"Parece que o presidente Saleh fracassou em todos os seus esforços para empregar tribos e forças de segurança para atacar aqueles que pedem a sua saída e, por isso, recorreu ao uso da religião, sobretudo depois que viu que milhares de mulheres estavam participando dos protestos," disse Samia al-Aghbari, líder no movimento de protesto.

Saleh, que advertiu que há riscos de uma guerra civil e de separação do Iêmen caso ele seja forçado a deixar o poder sem uma transição ordenada, pediu à oposição, na sexta-feira, que reconsiderasse o convite para participar de negociações para resolver a crise.

Mas ele também adotou um tom desafiador, chamando a oposição de mentirosa e bandida, e apelando para a sensibilidade religiosa no país muçulmano conservador, criticando a convivência de homens e mulheres que não são parentes entre os manifestantes em Sanaa.

Cerca de 5 mil mulheres protestaram contra ele em Sanaa, ontem, com números similares na cidade industrial de Taiz, no sul da capital. Os protestos anti-Saleh tiveram o apoio da principal coalizão de oposição, que inclui a esquerda, mas cujo principal membro é o partido islâmico Islah.

Algumas mulheres trouxeram suas filhas para os protestos. Uma delas exibia a cara pintada com a imagem da bandeira do Iêmen cercada por um coração na bochecha e a palavra "saia" escrita na testa.

A Arábia Saudita e outros aliados ocidentais do Iêmen temem que um impasse prolongado possa inflamar os confrontos entre unidades militares rivais e causar o caos, o que beneficiaria a facção da Al Qaeda que opera na região montanhosa pobre da Península Árabe.