09 de julho de 2026
Internacional

Em baixa, Nicolas Sarkozy tenta reverter a queda na popularidade


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Paris - A um ano das eleições, Nicolas Sarkozy vive momento crítico: com a popularidade em queda livre e pesquisas indicando que pode ficar fora da disputa, o presidente francês tenta reverter a situação. Até agora, sem sucesso.

"Jamais um chefe de Estado conheceu tal descida ao inferno??, afirma a revista "Le Point??, em reportagem intitulada "A Maldição??, em que analisa o cenário atual. Pesquisa do Ifop (Instituto Francês de Opinião Pública) deste mês mostra que o percentual de pessoas que desaprovam o governo chegou a 70%, o maior do seu mandato - que teve início em 2007.

Para analistas, alguns fatores explicam a impopularidade. Em primeiro lugar, a situação econômica não é boa, e a principal reforma feita pelo presidente, que aumentou a idade mínima para a aposentadoria, foi altamente rejeitada pelos franceses. "Nenhuma população gosta de um governo ou de um presidente que não consegue fazer políticas públicas favoráveis??, afirma Stéphane Monclaire, cientista político e professor da Sorbonne.

Além disso, Sarkozy fez questão de centralizar as decisões e reduziu o papel do premiê. O resultado é que, quando as coisas vão mal, ele é o primeiro a ser culpado.

Nesse cenário, Sarkozy tenta ganhar popularidade enaltecendo o orgulho e a identidade francesa em duas frentes: com ações militares na Líbia e na Costa do Marfim, e levando o islã e a imigração ao centro da pauta.

Para Monclaire, Sarkozy tenta dividir a esquerda e fortalecer a Frente Nacional, para mostrar, no futuro, ser o único capaz de vencê-los. "A estratégia até agora foi perigosa. Assim, os franceses começam a achar simpáticas as ideias da extrema-direita.??

Nesse sentido, a França aprovou lei que limita o uso do véu islâmico, com o argumento de preservar a cultura do país. A medida entrou em vigor na semana passada. A estratégia de Sarkozy se une ao fato de a FN ter, agora, uma nova imagem com Marine Le Pen. O resultado é o crescimento das intenções de voto no partido, que mostra chances de chegar ao segundo turno de novo - como em 2002.

Paralelamente, Sarkozy tomou a dianteira da ofensiva internacional na Líbia, além de agir na Costa do Marfim. A ação na Líbia foi, inclusive, elogiada pela oposição, seguindo tradição de união em tempos difíceis. Sarkozy está, agora, dentro de alguns ciclos viciosos que terá de vencer para elevar as chances em 2012.


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Sem mesquitas

Paris - Dezenas de imigrantes africanos, vestidos com túnicas muçulmanas, se concentram em frente a um conjunto habitacional próximo ao 19º distrito de Paris. Eles se preparam para rezar, apertados em uma mesquita improvisada em uma sala de 20 metros quadrados de área.

Um dia após o governo de Nicolas Sarkozy anunciar a proibição da realização de rezas nas ruas de Paris e Marselha, muçulmanos da capital se dizem incapazes de cumprir a determinação por falta de mesquitas na cidade.

"Hoje [ontem], a maioria de nós conseguiu entrar na mesquita. Mas, na sexta-feira, quando todos vêm às orações, a maior parte das pessoas tem de rezar do lado de fora, no pátio e até na rua??, disse Djibril Sokhona, imigrante da Mauritânia.

Hoje há 2.000 mesquitas na França e até o governo admite que elas não são suficientes para os cerca de 6 milhões muçulmanos no país. "É um absurdo que isso tenha virado uma crise política. O presidente quer atrair mais eleitores de direita para o próximo pleito??, diz o engenheiro civil Zeboschi Noureddine, 39, presidente da associação cultural de Bardés.

A proibição das rezas na rua aconteceu na mesma semana em que entrou em vigor no país uma lei que proíbe as muçulmanas de usar burca, niqab ou qualquer véu que cubra o rosto inteiro.

Hoje, no bairro de Bardés, tradicional reduto árabe de Paris, a reportagem constatou que a maioria das mulheres cumpria a lei. Apenas pedintes usavam o niqab.