O massacre em uma escola no Rio de janeiro, no dia 7 do corrente mês, coloca-nos diante do problema do mal. O jovem Wellington Menezes de Almeida, 23 anos, invadiu uma escola municipal, na zona oeste do Rio de Janeiro, bairro de Realengo, e matou 12 estudantes, feriu outros 11 e se suicidou, deixando para traz um rastro de sangue, dor e angustia no coração dos familiares, alunos, funcionários, professores e, certamente, de toda a população brasileira.
Diante de um evento dessa envergadura, a mídia partiu para a especulação das causas que levaram tal barbárie, aproveitando para explorar cenas, entrevistas e debates sobre o tema da violência urbana. Falou-se em desequilíbrio emocional, abandono, bullying, internet, influência do terrorismo, questões religiosas e familiares. Nunca saberemos ao certo os reais motivos daquilo! Uma revista de circulação nacional referiu-se ao rapaz assim: "o mostro pode estar morando do nosso lado". O articulista deixou no ar uma pergunta: "como saber quando a loucura assassina emergirá das camadas profundas de anos de humilhação, solidão e frustração?". Realmente é muito difícil saber quando o mal que, há no homem, sairá das profundezas de seu próprio ser!
Se há um mal em nós, o desafio é saber o que fazer com ele. Na teologia cristã, entendemos que o mal é intrínseco ao ser, devido ao pecado de Adão e Eva. Pela Bíblia sabemos que natureza humana é inclinada para o mal, por isso precisamos entender que não adianta querer eliminá-lo do homem, nem repreender o "diabo do mal". O mal não é uma entidade, mas uma deformação moral. Como o mal sempre fará parte da estrutura da personalidade humana, canalizá-lo ou retê-lo com algo maior do que ele é o desafio.
Não concordo com a opinião de que o jovem Wellington era um mostro. Creio que ele era um cidadão comum que, infelizmente, teve seu mundo interior invadido por estímulos que potenciaram o mal existente, e que se manifestou de forma desequilibrada e descontrolada. Isso poderia ser evitado se os sinais emitidos pelo rapaz, no cotidiano de sua história, fossem detectados e tratados. Agora é tarde..., tarde o Wellington e as crianças que morreram! Mas ainda há tempo para sermos mais sensíveis aos sinais físicos, emocionais e espirituais que são constantemente emitidos por aqueles que vivem perto de nós.
O massacre de Realengo não deve nos levar a questionar a existência ou a bondade de Deus, mas nos alertar sobre a malignidade humana. Deus e o mal são duas realidades distintas, porém presentes. O mal é o produto de uma escolha humana como resultado do livre-arbítrio. Deus produz o fato do livre-arbítrio, mas cada ser humano realiza o ato do livre-arbítrio; Deus não pode ser responsabilizado pela maneira como o jovem Wellington usou a sua liberdade.
O autor, Samuel Biassi do Nascimento, é teólogo, pastor titular da Primeira de Igreja Batista Bauru e bacharelando em psicologia pela Universidade Sagrado Coração/USC